Esta noite depois das 21 horas, é feita a apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda à autarquia de Sines. Estão todos convidados.
Enquanto o blogue da candidatura não está disponível, o que acontecerá esta semana, o Pedra do Homem associa-se desta forma à divulgação do acontecimento.
Apareçam.

Teixeira dos Santos: “A crise aproxima-se do fim”
Uma declaração do ministro das Finanças tem hoje um valor real que deve ser obtido invertendo o sentido das palavras. Atendendo ao passado recente quando Teixeira dos Santos anunciou a retoma a economia caiiu a pique. Quando Teixeira dos Santos anunciou um determinado défice razoável a realidade encarregou-se de o desmentir e de mostrar um défice muito superior.
O ministro é como aquelas pessoas eternamente optimistas mas a quem tudo corre sempre mal da pior maneira possível.
Lendo com rigor as declarações do ministro somos forçados a temer o pior. Os tempos que aí vêm vão ser penosos.



Quando o dinheiro é muito pode fazer-se uma campanha com muitos meios ainda que com escassas ideias. Quando o dinheiro é muitissimo podemos até pagar para ocupar o espaço apenas e só para não divulgar qualquer mensagem até que as ideias ou as imagens surjam. Uma espécie de demarcação do território.
Quem será o feliz contemplado com as dezenas de painéis colocados na cidade de Sines apenas e só a poluirem o ambiente e a taparem as vistas?
Do mal o menos: as receitas municpais com tanta propaganda-branca concentrada devem estar a rejubilar.

Grupo de académicos defende viragem à esquerda na política económica
Contra a tirania do pensamento único e como alternativa ao manifesto dos economistas-problema um grupo alargado de economistas e outros académicos propõem uma viragem à esquerda na política económica. Gente de diferentes sensibilidades políticas dentro da esquerda ma sque convergem na defesa de que "só com emprego se pode reconstruir a economia". Para copmbater o desemprego crescente propoem uma intervenção forte do Estado na economia. "O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos." Propoem investimento público e regulação efectiva dos mercados financeiros e defendem que o " governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue."
Ainda bem que não vivemos num regime dominado pela ideia única.
Entre os subscritores estão algumas da smelhores cabeças deste país algumas das quais são pouco mediatizadas apenas e só porque são de esquerda. Saliento os professores António Simões Lopes, Mário Murteira, Jorge Gaspar, José Reis, Boaventura Sousa Santos, Manuel Brandão Alves, Raul Lopes ou Francisco Louçã.

Trabalhadores da Central Termoeléctrica de Sines em greve a partir de segunda-feira
Ao que parece, pela leitura da notícia e pelas declarações de Egídio Fernandes, a greve é justa. Existe um acréscimo de trabalho, neste caso associado a novos equipamentos que foram instalados, e não existe anecessária e justa alteração das ondições contratuais. Claro que quando existe diminuição na produção por qualquer razão a primeira opção é despedir os trabalhadores ou aplicar suspensões parciais com reflexo no nível de remuneração, como vamos vendo aqui na região de Sines.
Quero salientar o facto de a unidade instalada, e no centro desta polémica, contribuir para diminuir a emissão de gases poluentes e a formação de chuvas ácidas. A chuva ácida, recorde-se, produz-se quando o Enxofre, proveniente da queima dos combustíveis fósseis e o Azoto presente no ar se combinam com o Oxigénio, formando assim o Dióxido de Enxofre e Dióxido de Azoto. Estes compostos espalham-se na atmosfera e fundem-se com as partículas de água que estão em suspensão, formando assim o Ácido Sulfúrico, Ácido Nítrico e Ácido Clorídrico, este em pequenas quantidades.
A precipitação ainda que parcial do Enxofre durante o processo de queima minimiza este processo. A Central Térmica de Sines é referida anos relatórios da União Europeia como uma das mais poluentes no contexto europeu. Desse ponto de vista a instalação de unidades despoluentes é uma boa notícia.

No próximo dia 30, pelas 21 horas no Salão da Música, realiza-se a apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda à autarquia de Sines. Fui convidado e aceitei liderar a candidatura à Câmara Municipal, na condição de independente. Trata-se de uma candidatura que reune um conjunto alargado de cidadãos - militantes do Bloco, independentes, simpatizantes de outras forças políticas – em torno de um Projecto de Governo do Concelho de Sines.
Para saberem mais pormenores estão todos convidados para a sessão do dia 30, que contará com as presença do dirigente nacional do Bloco, Fernando Rosas, deputado eleito pelo Distrito de Setúbal.
Na sessão serão divulgados os nomes dos candidatos à Assembleia Municipal de Sines e à Junta de Freguesia de Sines e os objectivos programáticos desta candidatura.

Ferreira Leite promete ruptura com políticas de José Sócrates
Manuela Ferreira Leite promete romper com as políticas de Sócrates, mas não diz quais nem como. Promete mudar na Justiça mas nada diz sobre o pacto que PSD e PS assinaram, nem diz seja o que for sobre as reformas que vai introduzir. Irá tornar a justiça mais célere, mais acessível aos mais carenciados, diminuir o poder das grandes sociedades de advogados e despolitizar a dita? Irá introduzir o combate à corrupção? Irá rever o Código de Processo Penal? Promete mudar na Educação e premiar o mérito, coisa vaga e assustadora, já que "premiar o mérito"tem sido usado para pagar o saque das empresas através dos escandalosos salários e prémios dos chamados "gestores de topo". Será que MFL vai revogar o Esatuto da Careira Docente e o Modelo de Gestão tão contestado pelos professores ou vai entregar a educação aos lobbies dos negócios? Será que vai atender ás posições dos sindicatos e dos professores ou vai saciar a gula dos que sobrevoam na expectativa de mais um chorudo negócio - a privatização do ensino - para encherem ainda mais os bolsos?
Será que vai colocar os banqueiros na ordem e assegurar que os depositantes do BPN e BPP ficam com os seus direitos assegurados? Será que vai utilizar a CGD para defender os interesses da maioria da populaão ou para continuar a salvar capitalistas em maus lençois?
Do que Manuela Ferreira Leite nada diz é sobre as prestações sociais e sobre o combate à desigualdade social e sobre a brutal desigualdade na distribuição da riqueza produzida, pouca ou muita, por todos e capturada, como em nenhum outro país, por alguns poucos.
MFL pode ganhar as eleições - o desnorte do partido-Sócrates é brutal por esta altura - mas, na melhor das hipóteses, com uma fraca maioria relativa. Com a sua reconhecida capacidade para atender aos aspectos sociais da governação e aos aspectos da justiça social, será coisa para durar pouco. Esperamos todos que seja o tempo necessário para reconfigurar a esquerda - que sairá claramente maioritária das próximas legilativas mas que sairá diferente - e os seus protagonistas. Talvez MFL ainda faça um definitivo serviço ao país.



A terra era pesada como uma porta espessa
uma sílaba sem vogal
uma pedra sem a melodia das nascentes
Mas quando a água surgiu como uma anémona voluptuosa
a nudez reconheceu a seda de uma página ligeira
onde de curva em curva se anunciava a mulher
como se fosse uma ânfora azul ou uma janela viva
Sumptuosamente simples sumptuosamente plácida
profunda e lisa desperta no seu sono
a água espraiou-se entre o olvido e a ternura
e formou a consciência côncava e aberta num barco
O homem procurou sempre a lentidão materna
do seu ventre absoluto e dos seus ombros azuis
É na água que ele encontra as equivalências volúveis
e o ritmo da indecifrável leveza do seu sopro
De dália em dália a água embala a ferida
num adeus de melancólica e vaga melodia
O mundo retorna à sua matriz de frescura imensa
e a luz penteia a água como se fosse uma gazela


António Ramos Rosa

A Administração da Repsol reuniu esta manhã com os trabalhadores para os informar que a partir da próxima segunda-feira 50% serão abrangidos pelo Lay Off por um período de três meses. Desta forma metade dos trabalhadores da unidade perderão um terço do seu salário, além das perdas associadas ao trabalho extraordinário e aos subsídios de turno que já tinham perdido.
Confirmam-se assim as piores expectativas relativamente à evolução do polo industrial de Sines. Não se trata dos novos investimentos cujos trabalhos estão suspensos mas tão somente do normal funcionamento da unidade industrial existente.

Jorge Miranda retira candidatura, desiludido com disciplina partidária e com PSD
A recusa de Jorge Miranda, marcada pela dignidade que o carateriza, constitui uma vitória para o sectarismo da drª Manuela Ferreira Leite. Mas, trata-se de uma vitória de pirro já que evita a solução do problema e mostra que para ela a competência e a capacidade são irrelevantes quando o que está em causa são os "superiores interesses partidários".
Jorge Miranda, um dos mais conhecidos sociais-democratas, fundador do PSD, emérito constitucionalista, apenas tem um pecado para a direcção do PSD: saiu do partido e não faz parte do inner circle da actual direcção. Mas as pessoas independentes e válidas deste país não fazem parte dos, quase medíocres, inners circles das direcções partidárias daí, entre outras explicações, o estado desgraçado a que as coisas chegaram
Sempre defendi a nomeação de Jorge Miranda. Como cidadão se pudesse votar e escolher era o meu Provedor de Justiça. O mais qualificado e preparado de todos os que se apresentaram. Parece-me que os partidos são manifestamente incompetentes para resolver situações desta natureza em que estão em causa os superiores interesses dos cidadãos.

Cavaco Silva recebe hoje partidos para decidir data das legislativas
Haverá um único bom argumento a favor da realização de eleições legislativas e autárquicas no mesmo dia? Isto admitindo que oargumento da economia é uma estupidez. Um país que toma decisões desta importância política por custos da ordem dos 4 milhões de euros não está preparado para a vida democrática. Só para dar um exemplo esse acréscimo de custos com a separação das eleições é apenas e só um vinte avos dos apoios que o Estado português deu à empresa Artenius, ou cerca de um quarenta avos dos apoios que deu à empresa do senhor Amorim. Uma ridicularia, portanto.
Mas,existem ou não boas razões para separar as eleições? Muitas. A começar pela especificidade de cada uma delas. A começar pela sobreposição de mensagens com os partidos, todos eles, a vampirizarem as eleições autárquicas para darem, inevitavelmente, maior importância às eleições nacionais. Desta forma teríamos a conclusão lógica do processo de vampirização que se iniciou com as europeias. Teríamos assim três actos eleitorais mas em que os portugueses apenas se pronunciariam sobre um deles: as eleições legislativas.
As eleições autárquicas exigem um debate que não tem menor importância, antes pelo contrário, para o nosso futuro e para a qualidade da nossa democracia. Um debate que coloque em cima da mesa alguns aspectos que são fundamentais para o nosso futuro: o endividamento e a sustentabilidade dos modelos de desenvolvimento; a transparência e a corrupção; o urbanismo e os projectos de cidade; a participação democrática e o caciquismo; os direitos urbanos dos cidadãos, entre outros.

PS - todos os partidos estão contra a junção das datas com excepção do PSD. Julgo que o Presidente da República não pode assumir sózinho, com a líder do PSD, a responsabilidade de contribuir para esvaziar e limitar o debate democrático. Seria uma decisão em contraciclo com aquilo que tem sido a sua práctica.

Nuno Cardoso condenado a três anos de prisão com pena suspensa
As declarações do ex-autarca de que vai voltar à política são no mínimo despropostitadas. No momento emque foram proferidas não fazem qualquer sentido. Admitindo o direito de recurso, que é um direito de qualquer acusado, o que é um facto é que existiu uma condenação, que determinaria da sua parte a necessidade de prolongar o período de reserva a que se terá submetido.
Mas esta declaração apenas pode ser lida na lógica da "não-inscrição" de que falava José Gil no seu ensaio "Portugal -O medo de existir".

Nenhum economista "credível" é contra repensar as obras públicas
Manuela Ferreira dá o mote: quem pensa como ela é credível quem discorda o que será? É melhor nem esperar pela resposta. O melhor é criar condições para a senhora não passar da teoria à práctica.

28 economistas querem reavaliação do TGV, auto-estradas e aeroporto de Lisboa
Os economistas que assinaram a petição para travar os investimentos públicos são a expressão acabada do problema que a economia pode trazer à política. Todos eles, ou pelo menos uma grande maioria, estão ligados à gestão próxima ou afastada do país. Todos eles são capazes de aconselhar ao Governo que trave e adie os investimentos previstos e há muito discutidos. São capazes de o fazer agora, neste preciso momento, alguns meses antes das eleições legislativas e em plena crise finaceira internacional. Muitos deles ajudaram o país a evoluir de uma situação em que o endividamento externo estava abaixo dos 20 ou 30% do PIB para a actual situação em que a dívida ultrapassa os 100% do PIB.
Porque será que não fizeram este apelo antes das eleições europeias, por exemplo um ano atrás? Alguns deles participaram nas esquipas que fizeram os estudos quer do TGV quer do novo aeroporto e vêem agora dizer que o Governo tem que parar com os investimentos que antes eram considerados estratégicos. Projectos que lhes valeram remunerações vultuosas.
Julgo que o professor José Reis - um economista de esquerda, algo que não abunda entre os notáveis 28 - tem completa razão quando classifica estes economistas como economistas-problema. É de facto notável que "(...) no meio de tantas certezas não tenha havido olhos para fazer uma lista ampla de problemas sérios da nossa economia, não se apontem oportunidades, não se ambicione mais do que travar, não haja espírito para criar soluções. Estes são os economistas-problema... ". Pois são. São aqueles que face à crise aconselham a paragem e a demissão - e aqui cito, uma vez sem exemplo, o primeiro-ministro -e não são capazes de ter uma palavra para a crise internacional, as suas origens e as suas vitímas: os desempregados e aqueles que necessitam como do pão para a boca da revitalizalzação da economia e de um conjunto de novas políticas que rompa com o terror do neoliberalismo.

Sócrates contra críticas que lhe atribuem mudança de personalidade
Na missa das Novas Fronteiras - passada uma legislatura a importância e a credibilidade deste fórum, no qual se afirmou o mais famoso intelectual orgânico do socratismo, Vital Moreira, está reduzida a cacos - Sócrates defendeu o propósito e fazer uma ampla coligação com o País. E ainda HÁ quem ache que este tipo de missas não servem para nada. Atentem nesta descoberta: uma ampla coligação com o País. Acho apenas que Sócrates, como sempre, está a ser modesto. O País, de uma forma inimaginável, fez uma ampla coligação com o PS, no passado dia 7 de Junho. Julgo que Sócrates não corre sérios riscos de a desfazer até aos próximos actos eleitorais. Pode até, qual construtor de amplas coligações, assim uma espécie de Zé o Construtor, reforçã-la.
Dito isto não acho nada que tenha havido uma mudança de personalidade no dia da entrevista com Ana Lourenço na SIC -Notícias. Sócrates tem tantas poses quantas aquelas de que necessite para continuar a vender o seu peixe. Esta é a que, dizem-lhe, melhor se adapta ao momento presente e ssim sendo é aquela que ele adopta. Sócrates não qur mudar nada, mas fará tudo para continuar a governar. Tudo, literalmente.

O que aqui escrevi sobre o investimento miserável da autarquia e das empresas no GISA motivou alguns emails. Como aqui não se reproduzem emails não assinados limito-me a chamar a atenção para o que escrevi aqui e aqui.
Vinte e Um mil Euros é o investimento da CMS no GISA. Se isto não é um investimento miserável é o quê?
A Petrogal investe 150 mil euros tanto quanto a EDP.
Estão a brincar connosco mas ao menos não se gabam do seu magnífico trabalho como faz o autarca eleito para nos defender a todos deste tipo de agressões perfeitamente evitável.

Agência Portuguesa do Ambiente responsabiliza Repsol por contaminação do solo e da água
Esta notícia tem uma novidade: segundo o Secretário de Estado do Ambiente o culpado da contaminação do solo e da água é a Repsol. Então, podemos concluir, existe contaminação do solo e da água e se existe contaminação ela não deveria existir, ainda que os níveis se situem abaixo dos valores máximos. E como será consumirmos regularmente água com poluentes -hidrocarbonetos - próximo dos valores limites, ou acima dos padrões considerados óptimos para consumo humano?
A responsabilidade desta tomada de posição do Secretário de Estado, que disse aquilo que disse, a julgar pelo que se passou esta noite na Assembleia Municipal de Sines, podia levá-lo a ser acusado de alarmista e oportunista pelo actual Presidente da Câmara, por ter dito o que disse. A tese do autarca é a de que ele está a fazer o que tem que ser feito. De acordo com o método cientifico, contratando os melhores especialistas, fazendo estudos detalhados etc,etc. Tudo ao contrário da força política a que ele sempre esteve ligado, a CDU, que faz comunicados, coisa feia, isso não se faz, convoca reuniões extraordinárias da Assembleia Municipal, tudo para o chatear com esta coisa da água por meras ambições eleitorais.
Mas esta notícia traz uma repetição, que são aliás duas: No actual estado de conhecimento sobre o sistema não podemos com rigor afirmar que sabemos o que se está a passar e não sabemos quem está a poluir o quê. Sabemos que a REpsol está a poluir os solos e os aquíferos. E quem mais está a poluí-los? E qual o seu grau de poluição?
Por outro lado, e esta é a segunda repetição, não se vislumbra nenhuma estratégia que permita corrijir a criminosa omissão de décadas e ponha de uma vez por todas os problemas do ambiente e da saúde pública em Sines sob controlo. Uma estratégia efectiva que mobilize os recursos humanos e materiais indispensáveis para uma efectiva resposta de curto prazo - a situação impõe uma resposta urgente - e um actuação a médio longo prazo.
Foi-nos dito, por um reputado especialista da Universidade de Évora, que o aquífero de Sines é bastante vulnerável pelas características geológicas dos solos que o confinam e que é, exactamente, sobre esse aquífero que estão implantadas as principais empresas poluidoras. Isso não seria motivo, por si só, para que desde há décadas as entidades responsáveis, com destaque para as empresas, o Governo e a autarquia, tivessem uma efectiva e rigorosa monitorização das fontes de poluição? A esta omissão como se poderá chamar? Incúria criminosa?
Para o actual autarca o que importa é que, segundo a sua opinião, nunca se fez aquilo que ele agora andará a fazer. O problema é que ele ocupa desde há 12 anos o lugar de Presidente da Câmara e antes, durante 20 anos, defendeu quem o precedeu, com unhas e dentes. Quem o ouve falar poderá pensar que ele acaba de chegar ao lugar há coisa de quinze dias. O problema é que aquilo que ele anda a fazer não nos permite chegar a nenhuma resposta nos próximos anos e por isso não nos resolve os nossos problemas, apenas adia a sua resolução e ajuda a manter-nos na expectativa. O problema é que a mobilização de recursos feita pela autarquia e pelas empresas para este fim é miserável, apenas e só miserável. O problema é que o Governo lava daqui as mãos como Pilatos e através da sua omissão coloca-se de um dos lados do problema: do lado das empresas poluidoras.
A questão ambiental e de saúde pública não podem continuar a leste do debate político nesta terra.

Ferreira Leite quer autárquicas e legislativas no mesmo dia
A presidente do PSD já quis, até, suspender a democracia, ainda que só por seis meses. Agora quer tudo ao molho e fé em Deus e que o PSD ganhe tudo de uma só vez.
Não há pachorra. Deu-lhes agora para a economia, para a poupança. Um dia destes fazem uma eleição única, sempre para nos poupar trabalho e para elogiar a nossa maturidade.

Milhões de euros sem origem conhecida justificam buscas a Valentim Loureiro
Segundo a notícia os investigadores querem conhecer a origem dos fundos depositados em paraísos fiscais. Pura e simples curiosidade, já se vê. Mas, com toda a certeza, são certamente fundos de origem desconhecida.
Uma explicação possível para a sua origem é a seguinte: um dia ia o senhor Valentim Loureiro pela rua fora a falar ao telemóvel com o vice-presidente do Boavista, enquanto no outro telemóvel atendia o vice-presidente da Cãmara de Gondomar, quando o terceiro telemóvel, que trazia no bolso de trás das calças, tocou inesperadamente. Atrapalhado com tanta tecnologia tocante deu uma cabeçada num semáforo tendo ficado ligeiramente atordoado. Nesse preciso momento uma chuva diluviana de notas de mil quase que o soterrou. Já recuperado da mocada e fiel ao seu lema, "quantos são, quantos são", resolveu agir. Tomadas as devidas providências e convocados os serviços de transporte adequados, optou o senhor Valentim por colocar o dinheiro num paraíso fiscal, não existindo evidências de que o dinheiro tivesse alguma origem conhecida. Nessa altura o autarca terá confidenciado a alguns amigos, surpreendidos por ele ter enviado o dinheiro para tão longe da família, que dessa forma mais tarde ou mais cedo se saberia a origem do dinheiro já que, provavelmente, uma investigação policial aturada iria permitir sabê-lo.
O senhor Valentim Loureiro nunca se engana.

Sócrates enfrenta hoje moção global à política do Governo
Sócrates deve estar agradecido a Paulo Portas. Numa altura de vacas magras, depois de uma derrota eleitoral ímpar na história do PS, nada podia saber tão bem ao líder do Governo do que uma moção de censura, a três meses das eleições, antecipadamente condenada ao fracasso.
Sócrates pode apontar o dedo à oposição e à sua irresponsabilidade na forma como cavalga o resultado eleitoral. Pode até apresentar-se com uma nova estratégia de markting e aproveitar para salientar que o Governo e o PS reflectem sobre os resultados eleitorais e interpretam esses resultados enquanto a oposição apenas tenta, de forma oportunista e inconsequente, aproveitar-se deles para tentar lançar a confusão e o caos no País.
Sócrates podia durante mais uma semana ou duas continuar a digerir a derrota eleitoral. Portas veio em seu socorro oferecendo-lhe uma vitória parlamentar sobre a sua oportunista moção de censura diminuindo-lhe drasticamente o tempo de digestão.

PS - Diogo Feio, num momento de puro delírio, identificava as vagas declarações de Mário Lino sobre os prazos do TGV, como um efeito "avant-la-lettre" da moção de censura do CDS. Criatividade é o que não falta no partido do Caldas.

O que se está a passar no Irão, a reacção popular ao resultado - adulterado segundo os manifestantes e grande parte dos analistas e comentadores internacionais - anunciado dessas eleições mostra bem como nenhuma ditadura é suficientemente poderosa para amordaçar um povo.
Veja aqui a manifestação de ontem que terá juntado dois milhões de manifestantes em Teerão.
Notável é a presença das mulheres nessas manifestações. Pede-se liberdade, democracia e respeito pela vontade popular. Há claros sinais de que os resultados foram largamente manipulados pelo sector mais conservador do regime liderado pelo agora supostamente reeleito Presidente.
Morre-se pela liberdade em Teerão.

La Seda prepara venda de fábricas
Esta notícia dá conta da admissão, pelo presidente da empresa, da possibilidade de encerramento de várias fábricas da catalã La Seda, mantendo apenas as mais rentáveis. Nessa lógica qual será o futuro do projecto da Artenius em Sines, projecto no qual a CGD investiu algumas centenas de milhões de euros?
As explicações sobre esta matéria são nulas pelo menos por parte dos responsáveis governamentais. Usam agora de uma apatia inversamente proporcional ao entusiasmo que revelaram quando do arranque do projecto que como se lembrarão era um projecto estruturante dos investimentos que fariam de Sines um polo petroquímico ímpar no contexto europeu.

Chavez félicite Ahmadinejad
Chavez, não perde uma oportunidade de mostrar a sua raça. Agora deu-lhe para felicitar o sinistro ditador iraniano que roubou as eleições presidenciais. Roubo que provocou a revolta da população que arrisca a vida frente à polícia em violentos confrontos.
Em vez destas manifestações o que vê o caudilho venezuelano? "Trata-se de uma vitória muito grande e muito importante para os povos que lutam por um mundo melhor" terá dito ele ao seu amigo Ahmadinejad. Desculpe, importa-se de repetir? Por um mundo melhor?

Entrada na Galp já rendeu 330 milhões de euros em dividendos à Amorim Energia
Trezentos e trinta milhões de dividendos em quatro singelos anitos mais uma valorização da empresa em mais de mil milhões de euros é obra. Como se conseguirá uma coisa assim? Olhando para os felizes beneficiários, apenas uma conclusão é possível: mérito, muito mérito, trabalho intenso, muito trabalho.
Américo Amorim e Isabel dos Santois pertencem àquela categoria de humanos que apenas conseguem alguma coisinha na vida à custa de esforços sobrehumanos e uma dose inquantificável de mérito. No caso de Amorim o seu principal mérito foi o de ter tido a sorte de um Governo o ter "obrigado" a comprar 33% da Galp. No caso da jovem Isabel dos Santos, quem mais do que ela pode exibir o mérito de ser filha do seu pai.
No caso de ambos assinala-se uma penosa, mas não para eles , contradição: os funcionários da Corticeira Amorim, bafejados por salários de miséria e ritmos de trabalho intenso, contribuem com o seu trabalho para o mérito que enche os bolsos do senhor Américo e lhe permite responder, patrioticamente, aos apelos que lhe fazem os políticos de ocasião para enriquecer depressa e bem com aquilo que era suposto ser de todos; a fortuna da sua sócia angolana é, tanto quanto parece, inversamente proporcional à miséria da generalidade da seu povo.

PS - claro que este tipo de posts se inscreve naquilo que alguns identificam como o mal português da inveja. Confesso a minha inveja, mas concedam-me que se trata de uma inveja a um preço justo.

Está já nas bancas a edição de Junho do le Monde Diplomatique - edição portuguesa - que, como é costume, traz um conjunto de trabalhos de leitura obrigatória.
Destaco o artigo da autoria de Vítor Neves, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, cujo título é: "A questão habitacional em Portugal: velhos e novos problemas" e um artigo de José Reis, professor de economia na U.C. cujo título é " O que vale o trabalho? A economia portuguesa como fonte de desigualdades".
Vítor Neves defende um ponto de vista, que eu partilho, que recusa o simplismo na transposição para a realidade nacional das experiências de outros países. Simplismo que se limita a analisar os problemas da habitação à luz da crise financeira internacional, elevada a uma espécie do alfa e do omega de todos os problemas existentes. Vítor Neves defende que " São, pois, velhos - e sérios - muitos dos problemas com que nos defrontamos. A crise da habitação é em Portugal sobretudo uma crise estrutural.(...)" Na parte do seu texto dedicada às "Opções de política de habitação" Vítor Neves reflecte sobre as opções de política contidas no Plano Estratégico da Habitação 2008-2013, para questionar "o pressuposto da inevitabilidade da retracção do Estado e a (quase) redução da política de habitação a um conjunto de medidas com uma lógica assistencialista - o Estado como bombeiro" para concluir questionando se "Será eficaz uma tal opção de política na persepectiva da efectivação do direito à habitação em Portugal?"
A resposta éstá implicita na pergunta e conduz-nos a uma conclusão que não nos pode agradar: Ontem como hoje as políticas públicas de habitação em Portugal são, mais coisa menos coisa, a negação do direito constitucional à habitação. Ora aqui está um lamentável ponto de confluência e de sintonia daquilo a que se costuma chamar o "Bloco Central".

Adenda: Devo também salientar um outro artigo, excelente, de Constantino Alves, Pároco da paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Setubal e cujo título é "BelaVista - Setúbal. O bairro estigmatizado, um futuro difícil." Uma reflexão, apoiada pela experiência de vida de quem pode afirmar que "(...)Conheço os recantos mais problemáticos, calco o lixo nas escadas e sinto o odor dos dejectos e esgotos a céu aberto.(...)" Uma reflexão sobre as diferentes causas da violência urbana gerada pela exclusão e pela marginalização. A degradação do edificado, a ausência de espaços públicos qualificados, a falta de equipamentos colectivos como por exemplo parques infantis, a elevadíssima taxa de desemprego entre a população em idade activa -perto de 30% - os estigmas que os residentes carregam que os leva a omitirem, por exemplo, a morada real quando procuram emprego, a incúria e a omissão das instituições, que deveriam ter uma acção integrada no Bairro. Para ler e pensar.

A leitura de João Paulo Sousa, no "Da Literatura" da obra de José Gil, "Em busca da identidade: O desnorte" e a sua interpretação à luz das últimas eleições europeias e da afirmação de Sócrates de que, face á derrota e ao repúdio que ela traduz, não se vai desviar do rumo traçado.
Obra que já referi aqui a propósito da manifestação de professores, aqui e aqui.

No Inimigo Público de hoje: Catástrofe de Domingo: PS desiste de procurar a Caixa Negra de Vital Moreira.

É oficial: Cristiano Ronaldo no Real Madrid por 93 milhões de euros
Hoje é um grande dia para o fisco e para o Governo: finalmente a receita fiscal vai aumentar. Ronaldo vai ver melhoradas as suas condições de vida e em função do previsível aumento do seu salário vai contribuir com mais impostos para as receitas fiscais. Julgo que o aumento verificado no rendimento salarial do rapaz e a sua consequente tributação compensará, apenas do ponto de vista fiscal, a perda de muitos milhares de salários médios devorados pela crise da economia. Teixeira dos Santos deve estar de calculadora na mão a fazer as continhas todas.
Mas o fisco vai também tributar os 2,5 milhões de euros à lagartagem, esse exemplo maior de gestão de activos, que recebem mais 2,6 % desta transferência do jogador que venderam em saldos, antes da crise, por 68% do preço de Bruno Alves ou por 85% do de Paulo Ferreira, já para não falar dos 57% do preço de Ricardo Carvalho que esse era exuberantemente um dos melhores de então.
Já para não falar do empresário que faz mais uma pipa de massa neste negócio da Arábias e que também irá contribuir para o fiscozito.
Não nos podemos esquecer dos investimentos futuros do CR7, geradores de riqueza e de novas receitas, em particular uma nova mansão, desenhada pelo arquitecto "qualquer coisa mais na moda", com 93 divisões, todas com vista para o mar, em homenagem ao valor da transferência. Uma casa recorde para um jogador recorde para uma transferência recorde.
Este é um grande dia para Portugal e um grande dia para os portugueses. Como diria o Sócrates um motivo de orgulho para todos nós. Que pena não ter sido um dia mais cedo: passaríamos a celebrar o dia de Camões, de Cristiano Ronaldo e das Comunidades.

Esta aparente simetria relativamente ao eixo central permite-lhes, como diria o Gabriel Alves, ter uma ampla visão periférica do terreno de jogo político.

João Cravinho considera que “o efeito Sócrates só por si já não chega
A direita, de uma forma politicamente indefensável, veio, a reboque do resultado que o obteve no dia 7, dizer que o Governo não tinha legitimidade para avançar com as grandes obras. Ao que parece a direita proclamou que este Governo passa a ser um Governo de gestão. Não se sabe com que legitimidade dizem este tipo de asneiras, mas lá que as dizem isso é verdade.
Um efeito político que se pretende quando se está na oposição é condicionar a actuação do poder. Neste caso o PSD sabendo que o PS pode ser tentado a mudar de estratégia canalizando mais recursos para outro tipo de investimento público e libertando recursos para apoiar as emrpesas e as famílais, pressiona-o para lhe dificultar a opção. O PSD quer que o PS avance com as grandes obras mas, caso o PS mude de ideias e introduza uma moratória no processo pedindo um voto de confiança aos eleitores nas próximas eleições, quer poder dizer que fizeram aquilo que o PSD exigiu.
João Cravinho, nesta entrevista, assinala o fim do período Rei-Sócrates no PS. O período em que o PS era ele e no qual ele, apenas ele, bastava. E diz usando e aconselhando bom senso que : "Um Governo num país democrático não pode fazer quero, posso e mando. Dizer «eu tenho a minha vontade e porque tenho maioria e dentro de duas semanas já não a tenho, vou usá-la hoje para criar obrigações contratualizadas» que, no fundo, se o futuro Governo ou se o país quiser desfazê-las então paga um balúrdio tal que, aí sim, coloca o país de tanga".
A questão não se coloca no campo da legitimidade mas tão somente no campo do bom senso. Ora bom senso é o que não abunda nem no Governo nem nas oposições.

Corre na cidade de Sines - não abundam as boas notícias nestes dias cinzentos, apesar do sol - que a Petrogal chamou as empesas prestadoras de serviços para lhes solicitar uma redução dos preços, no âmbito de uma política de redução dos custos.
A causa próxima para esta opção - que funcionará como um ultimato para as empresas - terá a ver com a redução dos lucros dos accionistas de referência, como o senhor Amorim, que, coitados, perderam alguns milhões de euros com a malfadada crise, e que foram, ainda que ligeiramente, impedidos de praticarem o preço que lhes apetecia na venda dos combustíveis, não embolsando dessa forma toda a margem que a descida do preço do petróleo lhe proporcionava.
Este conjunto de notícias têm apenas um conjunto de vitímas: as pequenas e médias empresas e os seus trabalhadores.
O silêncio profundo sobre estas questões conduz-nos ao Chico Buarque e á velha música em que ele cantava que a dor da gente não sai no jornal.
Não há muitos políticos capazes de aparecer a dar as más notícias. Do que todos gostam é de aparecer engravatados de sorriso afilado e pose para a fotografia e as televisões quando as notícias são boas.

Há quinze dias a Repsol Sines era notícia pela indefenição no arranque das novas unidades que significam um investimento de cerca de mil milhões de euros. Mas, desta indefinição à paragem completa das unidades existentes, ao que parece por incapacidade de escoar os stocks existentes por ausência de procura, terá decorrido um pequeno período. O assunto ainda não está nas notícias mas, corre na cidade de Sines, que a empresa já procedeu à dispensa das empesas prestadoras de serviços que apoiam a normal actividade do complexo, reduzindo as prestações de seriços aos mínimos para garantir a manutenção e a segurança das instalações. A empresa terá já avisado os trabalhadores, ou irá formalizar em breve essa comunicação, de que vai iniciar um processo de lay off que numa primeira fase assumirá a forma de interrupção da actividade para gozo de férias e para gozo das folgas do pessoal e que pode posteriormente evoluir para períodos de formação do pessoal dos quadros.
Não me parece que existam boas notícias para o emprego e para a actividade das empresas no concelho de Sines.

A Artenius parece ameaçada de falência total, embora haja quem diga com conhecimento de causa, que esta área de negócio está muito exposta ás crises e às variações no consumo.
No entanto ficam por explicar duas coisas: 1)Quais as vantagens que Portugal retira, ou pensou retirar, deste negócio. Tendo sido o investimento da CGD de 400 milhões de euros e tendo sido atribuídos apoios ao investimento de cerca de 90 milhões de euros, estando a construção da unidade em Sines -a fábrica significa um investimento inferior aos 400 milhões de euros - parada e existindo, tanto quanto se sabe, dívidas acumuladas a fornecedores, qual é a vantagem que Portugal retira deste negócio;
2)Qual é o interesse estratégico que justifica este envolvimento do Estado através do banco público?
Em Portugal, provavelmente também noutros países, existe o hábito de os ministros aparecerem no lançamento das primeiras pedras ou, tão somente, no anúncio de novos investimentos. Infelizmente não existe a tradição - para não usar a palavra ética - de explicarem de forma clara aos contribuintes o que andam a fazer com o nosso dinheiro e porque razão tomaram a opção A em detrimento da opção B. Talvez porque os governantes não pensem, e ainda bem, que os cidadãos se equiparem aos accionistas das empresas. Mas, talvez não fosse má ideia deixarem de nos considerar apenas e só cidadãos/consumidores passivos e acríticos, vagamente imbecis. Talvez fosse boa ideia passarem a considerar-nos pessoas inteligentes a quem têm a obrigação, irrecusável, de prestar não apenas contas nos actos eleitorais mas também públicos esclarecimentos sobre o que andam a fazer com o nosso dinheiro.

Acabo de ver parte de uma entrevista de José Eduardo Bettencourt em que respondendo à pergunta de quem tinha sido o melhor treinador do Sporting levou cerca de trinta segundos a responder que tinha sido Paulo Bento. Fica assim esclarecida a razão pela qual apenas necessitou de 10 minutos para o contratar, muito menos do que os 90 de que o treinador necessitou para escrever uma das páginas mais humilhantes da história do clube e naturalmente muito menos do que o tempo gasto a fazer do Sporting uma máquina de jogar um futebol receoso, aborrecido, enfadonho, pese embora os excelentes jogadores de que dispõe.
Bettencourt terá uma ideia difusa da história do clube e não se recordará de nenhum dos grandes treinadores que construíram o prestigio do Sporting. Lembra-se apenas de Paulo Bento. Não é grande lembrança.

Cavaco Silva veta lei de financiamento dos partidos
Uma medida a favor da transparência e contra a corrupção do sistema político e dos seus agentes. Espera-se que os partidos possam agora melhorar a lei. O Presidente da República com este veto interpreta fielmente o sentimento dos cidadãos.

Opinião: Mais do que um simples voto de castigo
Concordo com a posição de JMF de que mais do que resultado de uma má escolha de um péssimo candidato - curiosa a relativização do seu próprio desempenho e a transferência para o Governo do grosso das responsabilidades pelo desaire, feita hoje no Público por Vital Moreira - o resultado eleitoral do PS é fruto das escolhas políticas feitas pelo Governo e por José Sócrates. As pessoas foram votar a pensar em castigar pelo voto essas opções políticas. As pessoas sentem na sua vida do dia a dia os resultados dessas opções e reagem como podem, manifestando a sua oposição. Grande parte dos que votaram não sucumbiram à propaganda governativa que tentou, por todos os meios - e utilizando muitos meios, é bom dizer-se - apagar a contribuição para a dimensão da crise das opções de política interna. Se bem o tentaram é um facto que não conseguiram.
A ideia de maioria absoluta já não é uma miragem, é uma pura impossibilidade. Ninguém recupera mais de meio milhão de votos num curto espaço de tempo, ainda que não persisitisse, arrogantemente, em manter o rumo. O melhor a que o PS pode aspirar é a ser o partido mais votado e o resultado do PSD - uma vitória improvável alguns meses atrás - não é tão bom que permita colocar o partido como o mais provável vencedor das próximas eleições legislativas.
A esquerda do PS, em particular do BE, cujo crescimento se alimenta do PS e que é possível independentemente do crescimento da CDU, como estas eleições demonstraram, tem novas responsabilidades estando a terminar o tempo em que basta ser contra para se crescer. Mesmo que, como tem acontecido de forma exuberante nesta legislatura, o ser contra seja acompanhado de um conjunto sensato de propostas políticas em todas as áreas da governação. Sou dos que pensam que o valor real do BE neste momento ultrapassa o resultado eleitoral do dia 7 e que apenas a ausência de clarificação da posição do partido face às questões da governabilidade impede essa expressão concreta.
No caso do BE o problema é que esse eleitorado é reversível, podendo em qualquer momento voltar ao PS, e quer, sobretudo, mudar a política e mudar o sentido da governação. Mas não tem tempo. As condições de vida dos cidadãos impõem uma urgência à política que muitas vezes não se compadece com o tempo, infinitamente mais longo por ser um tempo mais confortável, dos actores políticos.
Depois das eleições legislativas a esquerda tem que negociar e disso poderá depender o futuro de José Sócrates, avesso a essa negociação à esquerda, cuja estratégia sofreu aqui um primeiro revez que, suponho, não será o último.
Por último uma questão de semântica. A esquerda do PS não é a extrema-esquerda nem o PCP alguma vez foi extrema-esquerda. Os partidos que estão na base do Bloco são ou eram de extrema-esquerda, como o próprio JMF muito bem sabe. O problema é que essa classificação anquilosada nega as evidências da própria evolução do BE e das suas propostas relativamente às questões da política em geral. Nega o facto de o BE ser hoje, função do seu desempenho político, reconhecido como um partido confiável por muitos milhares de cidadãos que até aqui sempre votaram no PS. Claro que se trata de um partido situado claramente à esquerda do PS, embora isso, face a este PS, não chegasse para obter uma certificação por aí além.
Por fim a originalidade do caso português, com o maior crescimento a ser feito à esquerda e com mais deputados eleitos pelos partidos de esuqerda. Portugal é no contexto da União Europeia um país especial. É aquele no qual persistem, muitos anos depois da integração, traços fortes de desigualdade social e uma cada vez mais maior número de cidadãos a viverem abaixo do limiar da pobreza ou próximo dele. As novas pobrezas urbanas, com famílias estruturadas, com pessoas empregadas mas com rendimentos insuficientes face aos encargos, associadas a formas de exploração do trabalho cada vez mais severas, a fraqueza do Estado Social, nunca foi forte entre nós, nunca se aproximou sequer dos seus congéneres europeus, colocam cada vez mais cidadãos numacondição de não cidadania. O Bloco Central não tem respostas políticas para esta situação social. Não estranha por isso que esse Bloco diminua - os resultados do dia 7 mostram-no - e que as suas margens cresçam. Os problemas reais das pessoas estão na base destas mudanças.

José Sócrates não resistiu à escolha dos eleitores
Eu diria que Sócrates não resistiu às suas próprias escolhas e, sobretudo, às opções políticas que fez. Sócrates esqueceu os compromissos eleitorais que lhe permitiram obter a maioria absoluta e governou em nome de uma agenda que visava roubar o centro ao PSD. Esqueceu que chegara a esse lugar em nome da esquerda que ansiava por reformas políticas que permitissem melhorar a sua qualidade de vida e diminuir as desigualdades sociais. Mostrou arrogância e parcialidade, não exibindo uma sensibilidade social e um sentido de justiça social que justificassem a manutenção do sentido de voto dos que o elegeram.
Sócrates governou à direita e durante algum tempo pareceu que a sua base social de apoio se tinha reconfigurado com parte da direita a mudar-se para o apoio ao Governo e o PSD a cair a pique nas sondagens. Mas era tudo instrumental e transitório. Passado o tempo da euforia e chagada a crise a direita retornou lentamente ao seio materno e a esquerda. já cansada da governação de direita. optou entre o BE e a CDU.
Sócrates obtêm uns inenarráveis 26 % , um dos piores resultados da história do PS e o pior resultado em Europeias. O PSD não precisou de crescer muito para tudo isto ser possível. Com este resultado não está em condições de governar o País. Nunca ninguém formou governo com menos de 32% e mesmo somando o PP não chegam a uma maioria absoluta. Mas até às legislativas ainda vai algum tempo e se Sócrates insistir em manter o rumo, a coisa pode melhorar para o PSD e a direita.

A CDU ganhou as eleições em Sines confirmando a sua vitória no Distrito de Setúbal onde foi a força política mais votada. O PS é o grande derrotado em Sines e é o grande derrotado no Distrito de Setúbal. Perde 44.722 passando de 109.607 votos para os actuais 68.452. Um descalabro que dá bem a ideia do descontentamento com a actuação do partido e do Governo. Confirma aliás o facto de ter tido uma derrota em todo o País apenas triunfando nos distritos de Lisboa e de Portalegre.

Os resultados em Sines foram os seguintes:

CDU: 985 - 25,19% (1086 votos - 27,4%)
PS :983 - 25,14% (1620 votos - 40,89%)
PSD :625 - 15,89 %( 615 votos - 15,52%)*
BE: 616 - 15,75%( 233 votos - 5,88%)
CDS-PP: 171 - 4,71%*
Abstenção : 66,15% (63,22%)

* em 2004 PSD e PP concorreram coligados.
A vermelho resultados de 2004.

Alguma coisa está a mudar no distrito. A CDU recupera a sua posição de força maioritária e o PS desce para o segundo lugar. Mas verdadeiramente notável é a subida do BE que alcança 14,71% contra os 7,24% de 2004. O BE passa de 18.592 votos em 2004 para 39.342 votos em 2009.

Foram vistas em diferentes mesas de voto algumas pessoas idosas que queriam votar no "senhor Presidente" e outros que queriam votar no "partido do Peixe". Parece que se tratava de apoiantes do movimento do SIM, liderado pelo actual presidente da Câmara, que terão prometido na última almoçarada votar sempre no "senhor presidente" e que qeriam iniciar já o cumprimento da promessa.
No entanto, como o referido movimento não tomou posição sobre estas eleições, não se pode estabelecer qualquer correlação entre esta extemporânea afluência às urnas, os resultados actuais e um resultado futuro. Como diria o outro, em Outubro logo veremos.
Sintomático e preocupante, para muitos Peixes, pode ser o facto de o número de "estalinistas", na designação do SIM, não estar a diminuir, antes pelo contrário.

Sócrates admite resultado “decepcionante” mas diz que Governo vai manter rumo
Pode manter o rumo, sim senhor, que as derrotas seguintes serão inexoráveis. A conversa do rumo é o costume: dar a ideia que estas eleições não contavam para a questão da governação. Contavam, tanto mais, quanto o primeiro-ministro nelas se empenhou com unhas e dentes. Ma como será possível manter este discurso quando entre 2004 e 2009 o PS passou de 1.512.885 votos para 045.368 votos. Será que o primeiro-ministro acha que o resultado de 2004 não influenciou o resultado de Fevereiro de 2005?
Julgo que Sócrates, para lá desta retórica de ocasião, vai tentar mudar alguma coisa: vai tentar virar o sentido da governação para a esquerda de forma a tentar recuperar parte dos votos que voaram para o BE e a CDU que já ultrapassam os 20%. A pressão dentro do PS para que o Governo mude de políticas vai crescer e a esquerda reforçada vai aumentar a sua contestação. Se não mudar nada Sócrates arrisca-se a perder a liderança do próprio PS. Entre um poder que parece inamovível e a iminência da derrota total vai, na democrcia, um pequeno passo.

Já se grita “vitória, vitória” na sede do PSD
Sócrates foi obrigado a ir à luta, pelo péssimo desempenho de um péssimo cabeça-de-lista por si escolhido, mas não só, e perdeu de forma estrondosa. Pode até acabar a noite umas décimas acima do PSD mas a estrondosa derrota já ninguém lha tira. Perde cerca de 15% dos votos relativamente às anteriores eleições europeias. Se não mudar de política- será que ainda tem tempo? - vai evoluir de derrota em derrota até à sua derrota final. Tanta arrogância depois estamos ou não perante o epílogo de uma carreira que até à pouco parecia vir a ser longa?
Grande vitória do BE que já garantiu a duplicação dos resultados e pode mesmo triplicá-los. Grande vitória de Miguel Portas e este pode ser o príncipio do fim do Bloco entendido como um partido de contra poder.
Bom resultado da CDU que mantêm os dois deputados e pode até chegar ao terceiro. Para a CDU o pior é ser, eventualmente, ultrapassada pelo BE.
Grande vitória do PSD. Vitória de Paulo Rangel mas também de Manuela Ferreira Leite que o escolheu.
O CDS sobreviveu a mais estas eleições em que foi sucessivamente dado como extinto. Um caso sério de resistência e de sobrevivência.
"The times they are a changin` " apetece dizer recordando a velha balada de Dylan.

Um pequeno texto de José Reis no Ladrões de Bicicleta: "O Rapto da Europa". Estão lá algumas das questões essenciais que a camapanha eleitoral não permitiu colocar. A questão central é esta : "Para uma parte da esquerda que pensa sobre a União, basta e está bem uma União com o ‘entorse’ liberal que a Agenda de Lisboa lhe trouxe. Para a outra parte, uma União com audácia e capacidade para estruturar e governar em concreto um espaço de integração activo é ainda matéria difícil de digerir."
São questões académicas, dirãos os políticos e os jornalistas muitas vezes irmanados na mesma santa ignorância. Não são. São questões essenciais.
Um outro texto importante do mesmo autor no mesmo blogue é "As protecções do capital".
Boas leituras para o dia das eleições

Finalmente Portugal, quando tudo apontava para um empate, marca nos descontos e acende uma luz ao fundo do túnel do apuramento. Vitória sobre a Albânia com uma excelente antecipação de Bruno Alves já nos descontos. Afinal ainda pode ser.

Adenda: a segunda parte foi de uma mediocridade completa. Simão foi apenas um pouco melhor do que o péssimo -mas simpático e esforçado - Luís Boa Morte. Nani está uns furos abaixo da data em que foi expedido para Manchester. Pepe, lá continuou a arrastar-se no meio-campo, até que foi rcuado para central. Edinho é um bom rapaz mas...
Portugal ganhou com dificuldades extremas, contra uma selecção medíocre. Esta selecção portuguesa com este selecionador não vai longe. Gostaria muito de me enganar.

Uma primeira parte medíocre. Esta equipa não é viável. Não consegue ter a bola, não consegue criar jogadas de golo num ritmo aceitável. Parece que a única ideia que funciona é passar a bola ao Ronaldo e/ou ao Deco e esperar que algo aconteça.
Infelizmente só dispomos de 3 substituições.
Boa Morte confirmou as piores expectaivas. Pepe não é necessário para nada do que sabe fazer e faz muita falta para o que não sabe fazer.
Estamos a 45 minutos de dizer adeus ao mundial. No intervalo a SIC passa imagens de Figo a marcar um golo memorável à Inglaterra. Que saudades.

O pessimismo continua. Os albaneses nem deram tempo para escrever um post. Depois do golo português, uma fífia da defesa lusa e já está outra vez empatado. Uma primeira parte fracota com o árbitro a não marcar uma penalidade sobre ronaldo. No resto uma santa nulidade.

Como bom pessimista, não me parece que seja possível derrotar os ex-súbditos de sua majestade o grande ditador Enver Hosha.
Não percebo definitivamente as opções do "professor Carlos Queiroz". Porque razão joga o Pepe e porque razão joga -admitindo que ele joga - o Boa Morte?
Porque razão o João Moutinho não joga?

Objectivo do BE é que PS fique "suficientemente longe da maioria absoluta"
Acabar a campanha com esta mensagem é certamente um erro. Em primeiro lugar porque se trata de uma mensagem pela negativa e depois porque essa questão não está em jogo nestas eleições. Trata-se de uma mensagem adequada para afastar possíveis eleitores do PS que estivessem indecisos.

Mário Soares diz que sem o PS “é muito difícil sair da crise”
Estou quase completamente de acordo com Mário Soares. Quase, porque mantenho uma pequena discordância que é afinal uma grande discordânia. Não tenho dúvidas que não existe uma solução viável para o País que não ocne com a colaboração do PS. Mas, esse PS não poderá ser o PS actual que, na linguagem para consumo externo ou para fins eleitorais mais imediatistas de Mário Soares, adaptou a agenda neoliberal e cedeu aos grandes interesses económicos que vampirizam o Estado. Esse PS é mais um construtor de crises é um PS do qual poderíamos dizer que seria impossível a crise ter a dimensão que tem sem a colaboração do PS.

Vital com zero votos para o Conselho Científico da Faculdade de Direito
Eis um resultado que seria inteiramente merecido no final desta triste campanha para o Parlamento Europeu.
Proponho a seguinte grelha de classificação:
capacidade política----------------------- zero
capacidade de comunicação---------------zero
preparação sobre a Europa -------------- zero
preparação sobre assuntos internos------ zero
populismo ------------------------------- máximo
agressividade gratuíta ------------------- máximo
reverência ao líder----------------------- máximo
trivialidades -----------------------------máximo


O discurso de Obama na Universidade do Cairo é um momento alto da história política da humanidade. Nestes tempos cinzentos e dramáticos, para um cada vez maior número de pessoas a nível mundial, ser contemporâneo desta tão notável forma de intervenção e de actuação política é verdadeiramente gratificante.
Seria necessário recuar muito no tempo para encontrar um líder político assim.

Sondagem dá quatro pontos de avanço do PS sobre o PSD
As sondagens gastam, também elas, os últimos cartuchos. Umas dão o Ps mais para cima, outras mais para baixo mas quase todas elas dão o PS acima do PSD, mais margem de erro menos margem de erro, como agora se costuma dizer.
Sócrates voltou e o "efeito Vital" atenuou-se ligeiramente. O regresso da dona Manuela, já se sabe, não produz o mesmo efeito, antes pelo contrário.
Com estes resultados - que a abstenção tratará a seu bel prazer - o PS, pela mão de Sócrates e Vital, coloca ponto final na expectativa de maioria absoluta nas próximas legislativas. O trambolhão dos cerca de 45% dos votos em 2004 para aos actuais não mais de 35%. não deixa margem para ilusões.
A aproximação entre PS e PSD é igualmente expressiva.
Fica por fazer a confirmação de que a esquerda do PS se aproxima no seu conjunto dos 20% e a rorganização, ou não, da sua hierarquia. Parece que é o BE que estás mais próximo de ter o terceiro resultado e ultrapassar a barreira dos 10%, um resultado notável para um partido com apenas 10 anos e que se coloca num plano de intransigência com os cânones da práctica política instalada.
Nesta campanha ficou de fora a Europa. A Europa que interessa discutir , a Europa social, a Europa da coesão e a avaliação das consequências para a nossa vida das opções políticas que se tomam em Bruxelas ficou à porta da campanha eleitoral. É sempre assim ou tem sido sempre assim. Há um problema de falta de preparação dos agentes políticos e há uma idêntica faltas de preparação dos jornalistas que não dominam estas questões ficando-se pelos aspectos mais políticos e mais institucionais da União Europeia.
As responsabilidades não são idênticas. O PS, com 12 deputados europeus na última legislatura e com um cabeça de lista supostamente encartado na matéria, conduziu a sua campanha pelos esconsos da guerrilha política mais imediatista, enquanto o PSD acha apenas e só que o problema está no excesso de socialismo em Portugal, não tendo provavelmente tido tempo para concluir que a crise que se vive na Europa é do socialismo e que Durão Barroso e sus muchachos são afinal perigosos socialistas ao serviço de Sócrates, Zapatero e Cia.
Domingo eu vou votar. Por uma Europa mais solidária, mais coesa, com um Orçamento reforçado e melhor distribuído, uma Europa mais amiga dos cidadãos, uma Europa mais próxima do espírito do tratado fundador.
E você? Vá lá, não fique em casa. Lembre-se que vale sempre mais sermos activos hoje do que....

perfeito!

fugasB: Zmar: Campismo de luxo abre em Junho na Zambujeira e já aceita reservas

Depois do autocaravanismo, era mesmo disto que precisávamos: um complexo para patos bravos criados em cultura biológica.

Sondagem dá vitória ao PSD nas europeias, mas em situação de empate técnico
As sondagens estão como os interruptores, umas vezes para cima outras para baixo. Claro que as posições variam com o partido observador. No caso do PS as sondagens não jogam com o entusiasmo - delirante? - do candidato. Vital, com um entusiasmo alimentado em doses iguais pelo incidente do 1ºde Maio e a roubalheira do PSD, lá vai espalhando a boa nova de que "estamos a ganhar as eleições, camaradas", empolgado pelas audiências dos comícios, que ele acredita serem genuínos aderentes que se autodeslocaram expressamente para o escutar, pretendendo ignorar a lógica do "pessoal das camionetas". Sócrates vai ter que voltar para uma última tentativa de obter uma vitória nestas eleições, de cuja leitura política nacional já ninguém o livra.
CDU e BE consolidam os seus resultados à volta dos 9% mas não chegam conjuntamente aos 20% e qualquer um deles não consegue, aparentemente, ultrapassar a barreira psicológica dos 10%.
Elegerão, ao que parece, 4 deputados europeus e assim sendo não se poderá falar de uma grande capitalização do descontentamento. Falta ainda qualquer coisa para permitir o crescimento eleitoral.
O CDS , apesar da visibilidade de Nuno Melo, parece não ser capaz de eleger um único deputado. A direita está a unir-se em torno do PSD e Paulo Rangel foi capaz de justificar esse voto útiil.

Esta é uma questão que não está resolvia, está apenas abafada: a má qualidade da água de abastecimento em Sines. Trata-se de uma questão que se liga com outra mais vasta: a má qualidade do ambiente e a agressão a que os cidadãos desta zona, com destaque para os de Sines, estão sujeitos em termos de saúde pública.
Nesta altura o assunto está no centro da discussão política ente a CDU e os independentes que saíram daquela força política e que lideram o executivo municipal.
Não tenho uma visão moralista do debate político pelo que acho natural a discussão e legítimas todas as questões que se coloquem em cima da mesa. Não me interessam os argumentos dos que dizem que o actual Presidente da Assembleia Municipal apenas faz o que faz porque lhe interessa hostilizar o seu ex-camarada e adversário nas próximas eleições.
Mesmo que sejam verdadeiros estes argumentos, o presidente da Assembleia Municipal tem o dever inalienável de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para esclarecer cabalmente esta questão. Deve fazê-lo enquanto subsista a mais pequena dúvida sobre a qualidade da água e sobre o nível de contaminação dos aquíferos.
A questão da nossa qualidade de vida não se compadece com moralismos, com silêncios e omissões. É necessário uma vez por todas conhecer em profundidade o estado do ambiente e da saúde pública em Sines, apurar responsabilidades políticas e encontrar soluções. Não podemos adiar a resposta a estas questões para as calendas. Eis um tema que estará, garantidamente, em cima da mesa na próxima campanha eleitoral autárquica.

Helena Matos detecta em Fernando Nobre, Presidente da AMI e mandatário nacional da candidatura do BE às Europeias, uma "fixação na Palestina" que "deve fazê-lo sonhar com explosões mas já começa ser um bocadinho obsessivo". Tudo isto porque Fernando Nobre considerou "socialmente explosivas" as situaçõe existentes em bairros sociais. A jornalista acha que a "peregrina ideia de que os desempregados às terças e quintas roubam Audis por carjacking e às quartas e sextas queimam os automóveis dos vizinhos é não só uma tonteria como uma tonteria ofensiva".
A menos das mesquinhas considerações sobre Fernando Nobre - que não beliscam a sua intervenção - o que importa referir é que a direita é assim mesmo: recusa a dimensão social da violência urbana, recusando as razões de natureza social dessa mesma violência. O problema são os violentos que fizeram em determinada altura a opção errada. A solução estará na adopção de políticas que permitam resolver o problema com soluções do tipo "violência zero" que conduzem, como se sabe, à criminalização dos excluídos.

Recordo o que escreveu Jordi Borja a este propósito:
(...) No entanto as políticas de segurança citadina, por um lado só muito parcialmente protegem o direito à justiça dos habitantes dos territórios mais marginalizados e por outro lado têm também efeitos muito perversos. Vamos destacar apenas três desses aspectos:
1 - O seu carácter classicista e racista. Criminalizam-se grupos e territórios como perigosos em termos absolutos. (...) Em certas cidades é suficiente ser jovem étnico e periférico para ser considerado pré-deliquente pelas forças da ordem.
2- A mitificação das políticas repressivas sobretudo “made in USA”. Apesar dos estudos recentes, inclusive comparando apenas cidades norte-americanas que praticam políticas distintas, demonstrarem que as políticas tipo “tolerância zero” criminalizam colectivos sociais e étnicos e nem sempre reduzem a insegurança urbana, ou pelo menos, não o fazem mais do que políticas sociais e culturais preventivas. A comparação entre Barcelona nos anos oitenta e a Londres conservadora, de então, demonstra a muito maior eficácia das políticas preventivas. Em Londres durante o governo Thatcher a delinquência urbana aumentou 50%, enquanto em Barcelona reduziu-se na mesma percentagem durante o mesmo período.
3- A incompreensão das dimensões especificamente urbanas da insegurança. Quando, por exemplo se combina um espaço periférico desestruturado, sem espaço público nem equipamentos de qualidade, no qual os jovens não trabalham nem estudam de dia, nem sabem onde ir à noite, se a isso se juntar a presença, entendida como provocadora, da polícia o que é que se pode esperar? (...)

Para quem quiser ler mais sobre as questões da violência urbana, a propósito da violência nos subúrbios em França no ano de 2005, pode ler aqui, ou aqui, ou aqui.


BBC afirma que Governo Sócrates cortou pensões e aumentou idade de reforma
Grandes mentirosos estes ingleses. Então quem quer destruir o Estado Social não é o PSD? Não é isso que o dr. Vital anda a dizer na campanha para as europeias? Como é que um partido como o PS, com a tradição do PS, com os fundadores do PS, com o programa do PS, com os eleitores que elegem os Governos do PS, pode cortar nas pensões e cortar nos direitos sociais dos trabalhadores? Isso pode lá ser?
Os bifes estão doidos.

Caixa já injectou 2,55 mil milhões de euros no BPN
Uma coisa que ainda ninguém perguntou a Vital Moreira foi como é que o Governo que ele apoia transformou aquilo que, na sua linguagem trauliteira, ele apelidou de "roubalheira do PSD" no maior saque de recursos públicos e de dinheiro aos contribuintes. Como é que este Governo já enterrou 2,55 mil milhões de euros num banco, que se permitiu fazer as maiores vigarices, quando à data da nacionalização - opção desastrada que é exclusiva responsabilidade política do PS - apenas lá tinha enterrados 235 milhões. Que interesses públicos é que esta operação protegeu?
Que vantagens dela resultaram para a economia nacional e para os depositantes que tinham as suas poupanças confiadas ao BPN?
Talvez Vital Moreira tenha um minuto para explicar estas questões aos portugueses.

PS - já agora o que é que a CGD podia fazer com 2,5 mil milhões de euros para ajudar a economia nacional e sobretudo para ajudar 2 milhões de portugueses que vivem com tantas dificuldades?

No dia mundial da criança não nos podemos esquecer dos objectivos do Milénio e do facto, comprovado, de que eles se situam, já hoje, no puro domínio das utopias que não conseguiremos cumprir. Não só não conseguimos reduzir a mortalidade infantil entre 1995 e 2015 em dois terços, como não diminuímos as desigualdades sociais que penalizam os mais pobre aqueles que vivem abaixo do limiar de pobreza, os biliões que nem de um dólar dispõem para prover ao seu sustento e dos seus.
Muitas das crianças em todo o mundo estão condenadas a uma morte prematura, ao analfabetismo, a serem toda a vida exploradas, apenas e só por serem quem são: filhos de pobres e de explorados. Trata-se da única coisa que herdaram: a condição social miserável a que os seus pais já tinham sido sujeitos ao longo de toda a sua vida.
Ninguém pode ignorar que as crianças dos mais pobres estão mais sujeitas à possibilidade de morrer: Ninguém pode ignorar que a pobreza absoluta e a desigualdade estão intimamente ligadas. Ninguém pode ignorar que apena ligeiras modificações na distribuição do rendimento podem reduzir significativamente a pobreza e a mortalidade infantil. Ninguém pode ignorar que o pecado da gula, a ganância, a extrema impiedade do capitalismo, levam a uma acumulação obscena de capital e a uma hiper exploração dos pobres em todo o mundo, agudizando todos os dias as desigualdades.
Bem dizia Sancho Pança, no Dom Quixote de Miguel Cervantes:

"Só existem duas famílias
no mundo, como a minha avó
costumava dizer: os ricos
e os pobres. "
Um dos problemas é que quem exerce a política e está no poder normalmente tem família mas, em regra, não é dos pobres.

PS sem solução para o problema do calor nos seus comícios à norte-americana
Ainda não se lembraram de contratar o serviço de pré-arrefecimento dos idosos. Ou será que depois de bem acondicionados nas camionetas o calor sufocante dos pavilhões lhes parece uma suave brisa mediterrânica?

Sócrates acusa direita de ser "retrógada", estar "sem ideias" e "sem liderança"
Olha o descaramento do José, a associar dificuldade de mobilização a falta de ideias. Toda a gente concordará que a direita não abunda em ideias, mas é por isso que o José apareceu em forte na campanha a ocupar o lugar do candidato, não fosse ele continuar com aquelas parvoices das críticas no apoio ao Zé Manel, ou com ideias peregrinas como a do imposto europeu. A direita reconhece-o e sabe que pode contar com ele. Por isso não admira que a dona Manuela tenha optado por ir para casa.
Mas o que a direita não tem é uma rede de enchidores de camionetas de que o PS muito se orgulha, isso sim uma grande contribuição socialista para esta campanha.


 

Pedra do Homem, 2007



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