"Combustíveis mais caros entre 2,1 e três cêntimos por litro"
Se a subida dos preços é justificada pelo aumento do preço do barril em dólares quem explica aos consumidores o efeito da desvalorização do dólar em relação ao euro, que no último ano foi da ordem dos 40%? Porque razão o facto de o barril custar cada vez menos euros não afecta positivamente o preço do combustível que compramos nas bombas, que permanece inteiramente à mercê do aumento do preço em dólares? Porque razão ninguém explica aos consumidores as razões éfectivas que justificam o aumento, brutal, do preço do gasóleo?
Estas coisas não carecem de explicação porque um Estado fraco é um estado servil perante os negócios e as ilegalidades dos mais fortes. Com um Estado fraco, para alguns sectores com real influência política, a margem em percentagem dos seus negócios é fixa. Aliás, do aumento especulativo dos lucros das petrolíferas o Estado ainda beneficia através da cobrança dos impostos. O facto de isso acontecer à custa de um esforço ilegítimo pedido às famílias e às pequenas e médias empresas - não venham com aquela balela de que o Estado somos todos nós - não é razão para tirar o sono a qualquer governante.
Etiquetas: Política.Ganância
O comandante Ferreira da Silva envia-nos um trabalho publicado hoje pela agência Lusa em que ele defende a posição de que se deve evitar a construção de mais pontes no estuário do Tejo. Transcrevo o referido trabalho da Lusa: " Deve-se "evitar a construção de quaisquer pontes" no estuário do Tejo, para preservar este grande potencial, quer turístico-paisagístico, quer técnico para o Porto de Lisboa ou como grande hidro-aeródromo de mais de cinco quilómetros para "futuros hidroaviões de carga". Quem o diz é o comandante da Marinha Mercante, Joaquim Ferreira da Silva, ex-professor e ex-director da Escola Náutica, que levanta sérias questões quanto à "precipitada decisão" de se construir a ponte Chelas-Barreiro, que irá "provocar entre outros danos, o assoreamento na margem sul, impedindo até a Base Naval do Alfeite". Antigo alto funcionário das Nações Unidas, onde foi director de projectos das Escolas Náuticas financiadas pela ONU - tendo fundado as escolas de Casablanca, Maputo e Mindelo, o especialista considera que "não tem havido uma forte mobilização de pessoas conhecedoras dos problemas",e "nem mesmo têm sido consultadas". "A decisão foi precipitada e não foram analisadas as consequências para os transportes marítimos nos próximos 50 anos", sustenta.
"Veja-se as enormes potencialidades do estuário, o maior da Europa, segundo um relatório da NATO,e que pode acolher, em caso de crise, um comboio de 30 a 50 navios de abastecimento, como na Segunda Guerra, ou uma ou duas grandes esquadras de marinha de guerra. E isto não é pensar à antiga, porque devemos acautelar o futuro, e neste futuro está a possibilidade de grandes hidro-aviões de carga poderem amarar numa pista com mais de cinco quilómetros de comprimento", defende. Segundo Ferreira da Silva, o "Exército dos EUA está analisar alguns estudos" do célebre milionário Howard Hughes (proprietário da companhia TWA), com vista a grandes hidroaviões de transporte, com capacidade para 400 ou 500 homens. "Como os aeroportos custam muito dinheiro, para os hidro-aviões basta um porto abrigado para amararem e, essa é outra razão para se poupar o estuário do Tejo", acrescenta, comparando à revitalização dos grandes paquetes "dados como mortos", e, "nunca houve como hoje tantos navios de cruzeiro". O especialista "não pretende ser um D.Quixote isolado", numa causa tanmbém partilhada por docentes do Técnico, entre os quais José Manuel Viegas, Fernando Nunes da Silva, Mário Lopes, Carvalho Rodrigues ou António Brotas. Antigo profesor de Navegação, Marinharia e Tecnologias de Navios, Ferreira da Silva sublinha a importância do Porto de Lisboa, "que tem de continuar liberto e, ter nos próximos 50 anos a competitividade necessária aos transportes marítimos subsequentes aos futuros grandes navios, como os Post-Panamax de 200 mil toneladas".
O especialista lembra a nova estratégia do Canal de Panamá, que em 2014 (comemora 100 anos) viabilizará navios de 200 a 300 mil toneladas, até 56 metros de largura e mais de 320 metros de comprimento e 24 metros de calado (profundidade), permitindo a circulação dos grandes navios vindos da China e do Japão.
"Perante esta estratégia, Lisboa não pode ficar num meio de um X, ou seja, entre as Américas, o Norte da Europa e o Mediterrâneo, a favor dos portos de Barcelona e Valência", sublinha. Os grandes navios Post-Panamax levam mais de 10.000 contentores e, para tornar o Porto de Lisboa mais competitivo, tem de haver um terminal na margem sul (Trafaria), chamando a atenção para cerca "90 por cento das infra-estruturas portuárias situarem-se entre as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril".
Mas a situação agrava-se mais com a "destruição da chamada bacia de manobra do Porto de Lisboa, em que os grandes navios precisam de espaço...é necessário um quilómetro para a capacidade de manobra, implicando 300 metros de comprimento para um grande navio (para dar espaço a outro semelhante), mais 300 metros para a amarra e outros 300 para a rotação ou deriva do navio, quando está fundeado".
Joaquim Silva, diz que conheceu pessoalmente aos 18 anos, o engenheiro Duarte Pacheco, então ministro das Obras Públicas, que só tomava decisões "baseadas em resultantes técnicas e que tivessem uma eficiência para 50 anos".
"Esta decisão é tão precipitada que não avalia o assoreamento da própria Base Naval do Alfeite e da margem sul, para onde se deve fazer a expansão do Porto de Lisboa, especialmente em termos de contentores". "Com esta ponte para o Barreiro nunca mais irão navios com 9 ou 10 metros de calado (5.000 toneladas) para a zona da antiga CUF, como o terminal de Rosairinho (da Gazcidla) entre o Montijo e o Seixal, e o cais da Siderurgia. E o próprio relatório do LNEC sobre a nova ponte diz que o local fica assoreado", comenta Ferreira da Silva.
Todos os obstáculos colocados no Tejo travam a circulação dos detritos, provocando assoreamento, porque a ponte para o Barreiro "vai ser um autêntico pente que se enterra no estuário, originando também cheias nas zona de Alverca", a montante da Vasco da Gama, adverte. Além disso, "os navios de cereais que, antes de aportarem ao cais do Beato, vão ao largo aliviar a carga para barcaças, nunca mais poderão fazer esta operação de transbordo, numae zona onde esteve fundeado em 1951 o "USA Missouri", o maior couraçado do mundo, a bordo do qual foi assinada a rendição do Japão com o general McCartur.
Para o especialista "não se devem fazer mais pontes no estuário", mas optar-se pela travessia em túnel, como a prevista para Algés-Trafaria, questionando se alguém faz pontes nos lagos da Suíça, para os atravessar, aludindo ao capital paisagístico e à imagem de marca, que reprenta o estuário do Tejo para o Turismo.
Etiquetas: Cidades e Portos
Etiquetas: artes
Bué de militantes continuam a apoiar a candidatura de Alberto João a Presidente do PPD/PSD. Cento e Vinte e Nove, há menos de uma hora. Por este andar Alberto João apenas poderá anunciar a sua candidatura lá para 14 de Novembro.
Etiquetas: política
O Nemátodo da madeira tem estado nas bocas do mundo a propósito de uma epidemia localizada na zona centro do país. Entretanto, uma variante do conhecido Bursaphelenchus xylophilus tem estado a atacar no concelho de Sines sem que ninguém se dê conta do facto. Trata-se de uma variante muito rara conhecida por Nemátodo Urbanizador que ataca pinhais, florestas, falésias e todos os locais nos quais se possa construir qualquer coisinha. As fotografias acima dão conta da eficácia do dito que, em pouco tempo, reduziu a menos de metade os pinheiros existentes no pinhal do ex-Parque de Campismo de Sines. Contrariamente ao seu colega da madeira esta variante não se caracteriza pela diminuição da "Exsudação de resina e pelo facto de os ramos secos serem mais quebradiços que o habitual, acompanhada por uma murchidão generalizada e súbita": neste caso os pinheiros pura e simplesmente desaparecem como se o Nemátodo fosse uma espécie de Houdini.
Etiquetas: Poder local. Interesses
"Manuela Ferreira Leite candidata-se contra o “sentimento de desgosto e desânimo” no PSD"
Esta é a candidatura que mais problemas coloca à estratégia do primeiro-ministro de repetir em 2009 uma maioria absoluta que lhe permita governar sem compromissos. Governar com compromissos não parece, aliás, uma coisa muito compatível com a personalidade de Sócrates.
Como se viu na apresentação da candidatura a antiga ministra das finanças colocou o acento tónico da sua candidatura na necessidade de recuperar o respeito pelo partido. Uma manifestação de sensatez que outros não partilham. Que sentido faria, nesta situação, apresntar uma estratégia para o país quando o que se pede é uma estratégia clara para credibilizar o partido devolvendo-lhe a reseitabilidade perdida.
As restantes candidaturas - que disputam das formas mais creativas - os supostos votos de Menezes, seriam qualquer, caso triunfassem, música para os ouvidos de Sócrates. Então Santana e o inimaginável Jardim - tão desejoso de sair do quintal para a quinta grande - seriam música celestial.
Etiquetas: Política.
A actual situação em Lisboa é surpreendente. O Governo planeia, escolhe projectos e anuncia obras que representam intervenções relevantes na cidade. O Presidente da Câmara face aos anúncios Dessas grandes obras do Governo, declara que " A indicação que nós temos é que não se trata de um novo terminal [de contentores] mas de um rearranjo do terminal existente de forma a duplicar a sua capacidade. Isso parece-nos positivo porque, como temos dito, o Porto de Lisboa é uma actividade importante para a economia da cidade e melhorar a capacidade de serviço do Porto de Lisboa é melhorar a base económica da cidade" A indicação que nós temos ?
O presidente da autarquia não esteve presente na cerimónia de lançamento das obras do Governo talvez porque queira deixar claro, para os que ainda não perceberam, que a actual maioria política tem como única estratégia para Lisboa ceder a gestão de vastas áreas do seu território ao Governo. Não se discute se as iniciativas são boas ou más - nas cidades democráticas essas discussões devem preceder as decisões - mas sim o facto de, ostensivamente, o presidente da autarquia enfatizar que não sabe muito bem o que se irá passar embora a "indicação que nós temos..."
Quem falou em governamentalização de Lisboa?
Etiquetas: Política das Cidades
No Público de hoje(*) um entrevista, delirante é a palavra certa, com António Cunha Vaz, apontado como um dos homens mais poderosos e influentes deste País. Depois de uma hilariante entrevista com o igualmente influente Abel Pinheiro, no Expresso de algumas semanas atrás, esta entrevista mostra bem o estado de vacuidade em que se encontram os partidos que entregam o seu destino político a estas pessoas.
Para além da revelaçãode um conjunto de detalhes irrelevantes sobre o tipo de concelhos que deu ou não deu e sobre o tipo de responabilidades que assume ou não assume o que importa é a substância, as coisas profundas que se podem obter das declarações deste homem. Cito: "
(P) Porque decidiu trabalhar com o Luís Filipe Menezes?
Porque neste momento, apesar de ter uma boa carteira de clientes, interessava-me também poder aceder a outro tipo de clientes, mais próximos do Estado.(...)
(P) Então porque não desiste de trabalhar com os políticos?
Porque gosto da política. Divirto-me. Ficamos a conhecê-los melhor.É como ir ao circo.(...) Há bons artistas, bons palhaços, bons trapezistas.Há aquele tipo que não faz nada, mas apresenta....(...)
(P) Vai tornar-se político?
Agora não posso abandonar a agência. Mas estou farto dos comentadores, de alguns jornalistas e de alguns clientes.
(P) Na política, teria que os aturar a todos.
Não, porque não queria ser o número 2 ou o número 3. Só vou para a política, se for para mandar.
(*) - Links via Zero de Conduta
Etiquetas: Política.promiscuidades.
Etiquetas: Política. Estado Social
Etiquetas: política
A crónica de hoje de Vasco Pulido Valente sobre as candidaturas em disputa no PSD. Cito: " A parte conservadora do PSD já resolveu o seu problema: Manuela Ferreira Leite é apoiada e une toda a gente. É também se ganhar uma solução provisória. Mas, neste momento, basta impedir que o populismo tome definitivamente conta do partido.(...) No meio deste deserto, não há de repente ninguém senão Santana Lopes, que na Assembleia da República adquiriu uma espécie de nova virgindade. É uma tentação para as tropas, sem cabeça, do populismo e um perigo para Manuela Ferreira Leite. Ainda não nos livrámos dele."
Interessante a análise da candidatura de Passos Coelho. Como se sabe o ex-dirigente da juventude social-democrata anunciou a apresentação na próxima terça-feira de uma carta de dez príncipios a desenvolver com a colabotração da sociedade civil. Passos Coelho tem aparecido regularmente na televisão a emitir as suas opiniões sobre a actualidade política. Assim, sem mais, surgido do vazio e logo tornado presença constante nas emissões televisivas. Essas aparições ajudaram a dar uma imagem de falta de qualquer resquício de interesse. Passos Coelho fala e passados uns minutos ninguém se lembra de uma única apalavra que ele disse.
Mas o melhor é citar Vasco Pulido Valente que é demolidor e rigoroso: "Pedro Passos Coelho tenta aliciar a máquina do partido e até fez do filho de Menezes mandatário para a juventude, um gesto inominável que só serve para demonstrar a sua aflição e uma falta de escrúpulos que, sinceramente, não se esperava dele. De resto , sendo simpático, PedroPassos Coelho não é mais nada. Arrasta consigo um currículo vazio: vazio de experiência profissional, de experiência autárquica, de experiência governativa. Um homem assim cheira a "último recurso" e não pode dirigir a oposição ou designar, como certos lunáticos sugerem, o primeiro-ministro. Eleito instalaria imediatamente o caos."
Etiquetas: Politica.Opinião.
Etiquetas: Iraque
A propósito da produção de biocombustíveis e da crise dos cereais o físico Carlos Fiolhais escreve um interessante artigo no Público do dia 25 de Abril. Cito: "(...) Mas há um factor essencial [entre os factores rsponsáveis pela subida vertiginosa dos preços dos cereais] que está a ser cada vez mais discutido: a redução das áreas cultivadas para fins alimentares em benefício dos biocombustíveis. Deixou-se de plantar trigo para se plantar soja, que dá biodisel, para misturar no diesel, ou para se plantar milho, que dá bioetanol, para misturar na gasolina.(...) Além disso, o norte-americano David Pimentel (de origem portuguesa), professor de Ecologia na Universidade de Cornell, tem defendido desde há muitos anos que os biocombustíveis nem sequer são energeticamente eficientes, isto é, gasta-se mais energia a fazê-los do que se obtêm no final à custa deles.(...)"
Etiquetas: Politica.Energia
O encontro de Sócrates com militantes socialistas de Vila Franca para lhes explicar as alterações do Código Laboral é paradigmático do actual funcionamento dos partidos.
Um partido que chega ao Governo aplica um conjunto de políticas que, por não resultarem de qulaquer processo interno de debate e de definição das políticas do partido, têm que ser explicadas depois aos militantes na expectativa de que eles possam ajudar a defender as posições do Governo. Os militantes são irrelevantes para a formulação das políticas mas podem ser úteis no apoio social e no combate político em defesa dessas políticas. A definição das políticas deixou de ser uma incumbência dos partidos, entendidos como um todo, passando a ser uma responsabilidade exclusiva de um pequeno directório que se rodeia de "peritos", em regra universitários, que ajudam não só à definição mas também à sua legitimação com o seu prestígio académico.
Neste contexto um militante se fosse questionado sobre o previsível conteúdo da governação do seu partido em boa verdade pouco poderia adiantar, com excepção da sua fé de que a governação do seu partido iria ser muito melhor do que a do outro partido. É por isso que a militância partidária está cada vez mais ao nível da militância clubista e as agências de comunicação são as bases de qualquer projecto de ascensão ao poder político.
Etiquetas: Politica
Carlos Paredes
...ouvir-te a respirar na dança em roda
Eu gostei do essencial do discurso do Presidente da República. O alheamento dos jovens é uma realidade mas também dos menos jovens. As críticas ao funcionamento dos partidos são legítimas já que os partidos funcionam de um forma que deixa muito a desejar.
Os responsáveis pela actual situação foram os sucessivos Governos e em geral a classe política. Não esqueço as responsabilidades ao nível da governação local com a corrupção crescente, o compadrio e o enriquecimento ilícito dos agentes políticos capazes de, por si só, provocaram asco em qulquer um quando confrontado com a actividade política. Não esqueço a oposição política dominante a um combate efectivo à corrupção.
Não esqueço as responsabilidades de Cavaco e a sua contribuição para o actual estado de coisas mas prefiro um presidente que é capaz de fazer este discurso do que um outro contentinho da silva a tecer as loas do costume à excelência da democracia e à prosperidade imensa que vai mudar Portugal, lado a lado com o Governo.
Cavaco tem muitas responsabilidades pelo que de mau se fez neste país ao longo de anos. Mesmo agora muito recentemente foi incapaz de lidar com os dislates de Jardim e de impor o respeito pelos orgãos democráticos da região, tal como teve participação activa na recusa do referendo sobre o Tratado de Lisboa. Mas, é um facto, tem-se manifestado amiude preocupado com a degradação da qualidade da democracia, com a corrupção crescente e até com a crescente desigualdade na distribuição da riqueza.
Falta-lhe, talvez, colocar sobre si próprio uma maior exigência e mostrar-nos uma maior corência entre as palavras e os actos.
Etiquetas: Politica.Participação
Etiquetas: liberdade
Santana Lopes: "Estou aqui mais uma vez disponível para o combate"
A eventual candidatura de Santana colocará novas dificuldades à de Manuela Ferreira Leite. Sobretudo se ela congregar o apoio de Jardim e das distritiais que, controladas por Menezes, em nenhuma circunstância perdoarão a Manuela Ferreira Leite ter-se rodeado dos "inimigos internos".
A Santana, incapaz de se limitar a "andar por aí" cheira-lhe que a fragilidade da dama de ferro no partido é da mesma ordem de grandeza da vantagem de que goza junto dos comentadores e da comunicação social, que ele sabe não elegerem líderes embora possam ajudar a demiti-los. Com este feeeling o homem não consegue manter-se quieto. Basta fazerem-lhe um sinal, como cantava a Lara Li, e ele atira-se para o combate.
Quem ganha com isto é Sócrates. Um cenário de disputa contra Santana em legislativas só podia ser superado por um cenário de disputa contra Menezes.
ADENDA - mas que ideia terá sido esta de trocar a Lena d´Agua com a Lara Li.
Etiquetas: Política.
Ler os Outros: "Paulo Portas: A impunidade não pode continuar( 1 a 5)
Posted by JCG at 4/24/2008 09:27:00 a.m.Os posts de Ana Gomes no Causa Nossa com este títitulo. As perguntas certas a que Paulo Portas e o seu partido não dão resposta. Do terceiro post da série cito: "Porque foi a incúria (no mínimo) de Paulo Portas pelo interesses do Estado que levou Portugal a enterrar uns faraónicos €1,07 mil milhões na aquisição de dois submarinos (...) Mas a lógica desse contrato começa a ser mais inteligível quando está sob investigação judicial um estranho pagamento na conta em Londres da empresa ESCOM (UK), ligada ao BES, (pelo menos 24 milhões) de onde aparentemente foram desviados fundos para, através de contribuições de militantes imaginários como o tal "Jacinto Leite Capelo Rego", rechear as contas do partido de Paulo Portas... (E não só, e não só!....)
PS - É um escândalo a cruzada de Portas contra o Estado e a administração Pública em geral. Portas, com a sua completa falta de credibilidade, é o melhor amigo das prepotências e da falta de respeito pelos cidadãos cometidas pelos agentes da Administração. Como no caso selvagem da campanha de penhoras que por aí vai com o único objectivo de sacar o máximo de dinheiro à arraia miúda que aos poderosos as isenções fiscais são da ordem das centenas de milhões de euros, ou não fossem os nossos políticos meros serventuários dos poderosos.
Etiquetas: Política.Tráfico
José Sócrates afirmou hoje durante a sessão parlamentar de ratificação do Tratado de Lisboa que existe “um grande consenso político e social em torno do Tratado de Lisboa". Desculpe, importa-se de repetir? Terá sido para evitar a pública manifestação desse tão largo consenso que Sócrates fez tábua rasa de uma sua importante promessa eleitoral e impediu a realização do referendo? Ou terá sido porque, atendendo à tão propalada complexidade da coisa, os cidadãos ignaros não saberiam como expressar esse tão largo consenso, correndo, eventualmente, o risco de se enganarem? E quem terá dito ao primeiro-ministro que os deputados percebem melhor o Tratado do que o povo?
A Europa dos cidadãos dá cada vez mais lugar à Europa dos burocratas e dos directórios partidários. A propósito, o que é que tem isto a ver com o 25 d Abril?
Etiquetas: Política.Europa
Morreu hoje Francisco Martins Rodrigues, antigo dirigente do PCP, partido de que foi expulso em 1964, depois de ter entrado em rotura com as posições pró-soviéticas de Cunhal. Foi fundador da UDP, em Abril de 1974, partido de que saiu em 1984, e posteriormente da Organização Comunista Política Operária.
Foi várias vezes preso pela PIDE tendo sido libertado no 25 de Abril de 1974 depois de ter sido preso em 1966. Era o dirigente mais prestigiado dos sectores à esquerda do PCP.
Presto-lhe as minhas homenagens.
Etiquetas: Protagonistas.
A proposta do Governo de reduzir "taxa social única para as empresas que empreguem trabalhadores sem contrato a prazo" e de penalizar as empresas que recorram a trabalhadores a pazo é uma proposta que nos moldes em que está formulada dificilmente ajudará a alterar a actual situação de precaridade nas relações de trabalho. A redução de um ponto percentual para os contratos sem termo é um estímulo pouco apelativo e mostra uma vontade pequena de favorecer a segurança no emprego. Até porque em simultâneo o Governo pretende introduzir na mesma legislação um conjunto de medidas fortemente penalizadoras para os trabalhadores de que saliento a facilitação dos despedimentos e o fim do limite legal de horas de trabalho legal diário. Talvez seja a pensar nisto que um sector do PS subscreveu o documento da Associação 25 de Abril a criticar a situação no País.(*)
O PS se tivesse uma verdadeira intenção reformadora nesta matéria podia ir mais longe na redução das taxas para as pequenas e médias empresas, as maiores empregadoras e as mais susceptíveis a flutuações da procura e à concorrência, e podia alterar as regras de contribuição para as grandes empresas de alguns sectores de capital intensivo. Mas isso era questionar os interesses e adoptar medidas de justiça social que poderiam descaracterizar o actual projecto socialista.
(*) - a razão para esta tomada de posição radicará no facto de ser iniludível que as políticas seguidas pelo actual Governo se afastam de uma forma clara de qualquer coisa identificável com uma orientação socialista. E são a expressão de que para algumas pessoas no PS a democracia não é o regime das fatalidades mas sim o regime das escolhas. Ora são essas escolhas que moldam a nossa realidade que, dizem os subscritores, é preocupante. E dizem muito bem.
Etiquetas: Política.Emprego
Etiquetas: Terra
Etiquetas: sociedade
Depois do professor Marcelo e da recusa de Rio "o desejado" fica a drª Manuela Ferreira Leite. Uma solução que permitirá evitar as veleidades de Menezes em recandidatar-se e que tornará a contagem de espingardas de Santana Lopes uma mera rotina. Os outros que já anunciaram as suas candidaturas tornam-se irrelevantes e, na melhor das hipóteses, marcarão posições para guerras futuras, como é o caso de Pedro Passos Coelho.
Para Sócrates o pior da dona Manuela é, além da sua credibilidade pessoal e política, a unidade que ela pode gerar à sua volta com os barrosistas e os cavaquistas a apoiá-la. Um PSD mais forte é um problema para a maioria absoluta futura, já que tem sido à direita que o PS tem crescido. O PS tem feito o papel que o PSD não foi capaz de executar: reformar e emagrecer o Estado Social, cortar nos serviços públicos acentuando a clivagem entre o interior e o litoral, hostilizar o factor trabalho, sobretudo na Educação e na Administração Pública, precarizar as relações laborais, acentuar a clivagem entre os mais ricos e os mais pobres.
O melhor para Sócrates é a sua imagem austera, de que o país se fartou quando da sua passagem pelo Governo, a sua insensibilidade para com os mais desprotegidos e o facto de ter sido cúmplice de um descalabro orçamental que não tem comparação na história da democracia. Combatido, esse défice, sobretudo com o recurso a receitas extraordinárias, o que não abona muito em favor dos seus méritos. Talvez que com esta opositora Sócrates se possa dar ares de esquerda.
Mas as coisas vão mudar e sobretudo o "indíviduo" Ribau, na feliz designação de VPV, sai de cena devolvido a Ílhavo depois de ter papado um almocito no PABE sem direito a fotografia no Expresso, uma coisa que não está ao alcance de todos.
Etiquetas: Política.
Pertenço a uma geração que sabe muito bem quem foi o cónego Melo. Morreu na passada semana e alguns jornais salientaram a tranquilidade que rodeou a sua morte. Um ultra-reaccionário confesso e militante - o 25 de Abril deve ter sido um dos piores dias da sua vida - que morreu de velho enquanto outros, combatentes pela liberdade, sucumbiram precocemente ceifados pelas bombas da canalha.
Etiquetas: Política.Protagonistas
Vital Moreira contrapõe aos que defenderam a descida do IRC por contrapartida do IVA uma redução futura das contribuições para a Segurança Social. Esta redução deveria, segundo ele, descriminar positivamente as empresas que criam emprego estável.
Interessante é o facto destas propostas serem feitas num contexto em que se admite como certo o arrefecimento da economia defendendo-se que "o Governo deve aliviar a pressão das receitas para estimular o crescimento económico e o emprego, sobretudo perante os actuais riscos de arrefecimento económico importado". Caso o Governo optasse por este caminho estaríamos perante uma clara mudança de estratégia. Caso para dizer que mais vale tarde que nunca.
Pena é que Vital Moreira não considere nenhuma das propostas colocadas ao Governp ao longo destes anos. Falo da proposta mais recente do líder do BE, apresentada em debate parlamentar, de trocar a diminuição do IVA por um acréscimo do mesmo montante no rendimento das famílias mais desfavorecidas. A outra é mais antiga mas faz todo o sentido, refiro-me à alteração da forma de contribuição para a segurança social para as empresas de capital intensivo, como por exemplo a Petrogal, ou a EDP ou as empresas do sector financeiro, que deviam contribuir em função do produto por trabalhador e não em função da remuneração por trabalhador. Isso significaria uma mudança completa na sustentabilidade da segurança social e a introdução de um critério de justiça já que iria permitir reduzir as contribuições das pequenas e micro-empresas, as vitímas do actual sistema.
A proposta de Vital Moreira de penalizar as empresas que recorrem mais ao trabalho temporário faz todo o sentido mas, muito provavelmente, o dr. Vitalino Canas terá outra opinião e infelizmente a sua influência junto do primeiro-ministro é superior.
Etiquetas: Poítica.
O Sporting mostrou em Leiria porque razão seria uma tremenda injustiça conseguir o segundo lugar e o acesso à Liga dos Campeões: uma equipa capaz de ser tão medíocre, raramente ganhou fora de casa, não pode ser segunda classificada. O Ssporting ser segundo seria uma injustiça tão gande como o Leiria descer de divisão, uma equipa que joga bom futebol, com vários bons jogadores e com um técnico com queda para "tratar" do Sporting.
Paulo Bento deve ter ficado calado ao intervalo e os jogadores, sem orientação do seu guru, devem ter pensado que estava tudo a correr bem e que se mantinham as indicações da primeira parte pelo que continuaram a jogar pessimamente.
Soares Franco, nas bancadas do Magalhães Pessoa com um ar de quem lhe caiu alguma coisa em cima, só se for um grande injusto é que não renova nas próximas horas com Paulo Bento por mais uma década. Não é fácil encontrar outro técnico capaz de nos proporcionar estas emoções e de garantir com alguma segurança que não vamos lá.
Adenda: os vizinhos da segunda circular também não merecem coisa nenhuma. O Porto acabou de lhes dar um banho e merece ser campeão porque é quem joga melhor quem tem os melhores jogadores e o melhor treinador. A coexistência deste conjunto de qualidades muito dificilmente não conduz à vitória. Seria uma tremenda injustiça se o Guimarães não obtivesse o segundo lugar. Injustiça para a cidade, depois do trauma da descida, para os jogadores muitos deles destinados a voos mais altos e sobretudo para Cajuda muito melhor treinador do que os da concorrência. Tem aquele ar esgaseado, aquela careca pouco fotogénica e teve alguns azares na carreira, mas as suas equipas normalmente jogam bom futebol e isso é a maior qualidade de qualquer treinador.
Etiquetas: Paixões.
Nunca houve tantos empregos precários , é o título de uma notícia do DN.
Entre precários e falsos recibos verdes mais de um milhão de trabalhadores são obrigados a viver a prazo sem qualquer tipo de segurança mínima. Em dez anos este tipo de trabalhadors cresceu 47% emquanto o número de desempregados duplicou nos últimos quatro anos.
Há qualquer coisa que falha no discurso da rgidez da legislação laboral, atendendo a esta capacidade que os patrões utilizam avaramente para imputarem aos trabalhadores o ónus dos períodos de abrandamento da actividade económica.
Etiquetas: Política.Precaridade.
Não foi por acaso que o apeadeiro, na rigorosamente nada original afirmação de António Costa, serviu para ser apresentado durante a fase pré-expo, durante e depois, como o símbolo arquitectónico da exposição. Permitiu legitimar a estratégia dos que optaram por desvalorizar a intervenção urbanística e se serviram de alguns projectos para abafar junto da opinião pública as criticas surgidas aos rumos que essa mesma intervenção seguiu.
O projecto da estação do oriente é uma síntese feliz da própria exposição: se aquela se afastou dos seus objectivos - se é que os tinha bem definidos - tornando-se numa operação de promoção imobiliária de larga escala, em parte financiada com fundos públicos ( apesar do alíbi do investimento público zero), com as dinâmicas de produção de habitação e de ocupação dos espaços a serem determinadas por lógicas exclusivamente mercantis, mas permaneceu sempre identificada com essa inocência original rapidamente perdida, a estação foi glorificada muito antes de ser construída na sua condição de objecto arquitectónico e nem a sua manifesta hostilidade para com os seus utilizadores lhe retirou prestigio. Os objectos arquitectónicos mesmo quando são equipamentos públicos, supostamente destinados a prestar um serviço, são avaliados não pela sua qualidade/eficiência ou relação qualidade/preço mas sim pelo prestígio do autor. É sobretudo esse prestígio que quem paga compra convencido que está que colhe benefícios políticos importantes dessa escolha. A estação, enquanto estação ferroviária, é uma merda, um sítio extremamente desagradável, um local impróprio para se apanhar outra coisa que não seja uma peneumonia num dia de chuva e de vento. Tenho disso uma expriência concreta.
Não deixa de ser engraçado ler as declarações de Calatrava a dizer que "Uma das coisas que me alegra em poder voltar a intervir é tentar corrigir as coisas que eu não fiz bem no início". Talvez fose boa ideia começar por explicar aquilo que fez bem ou então começar por fazer um desconto já que parte do trabalho, estou a citá-lo, vai ser corrigir os erros cometidos. Mas não tem que se preocupar, o primeiro-ministro e o presidente da câmara dois amantes de boa arquitectura, como se sabe, já colocaram a ampliação da estação como o novo símbolo "desta nova fase de relançamento da cidade de Lisboa". Pode voltar a fazer asneira que daqui a uns anos outra dupla arranjará mais uns milhões para que ele marque uma outra fase de blá,blá,blá.....
Quem nunca se compadeceu com a excelência da estação foi a SONAE que tratou de reduzir drásticamente a sua visibilidade para quem olha do lado do rio. Não se sabe mesmo se agora que a estação vai crescer o engº Belmiro não irá entaipar completamente a obra do seu colega valenciano.
Etiquetas: Lisboa.
The Killing Moon -Echo and The Bunnymen
O homem vinha injectar 38,5 milhões no clube do Bessa. Naturalmente teve direito a aparecer na televisão. O investidor nos mercados financeiros mundiais nem falar sabia, viu-se logo, mas falava um português suficiente para explicar que ia aplicar 9 milhões imediatamente e o resto seria pago "em simultâneo". Esta declaração das tranches em simultâneo esclareceu de vez as dúvidas que ainda pairavam sobre o verdadeiro potencial deste expert de Wall Street e de outras praças fortes da finança mundial.
Acabou, hoje, a ser interrogado pela Judiciária e corre o risco de se estabelecer no Xadrez. O Boavista está, e continua, como a família Loureiro o deixou: falido.
Etiquetas: Passarões
Hoje de manhã quando comprei o jornal li na primeira página que a drª Manuela Ferreira Leite ia candidatar-se à liderança do PSD. Fiquei a saber que o PSD já não tinha líder. O homem demitira-se a horas tardias e eu, como a generalidade de todos nós, não sabiamos de nada.
Um partido como o PSD pode resistir a um líder como Menezes mas não resiste às ondas de choque provocadas pelas diatribes de um "cangalheiro"- na versão Inimigo Público - com provas dadas, como Rui Gomes da Silva. Ainda segundo o Público, Menezes, no seu primeiro discurso de campanha - as coisas que acontecem numa só noite - estava acompanhado pelo seu vice-presidente que, pelos vistos, quer acompanhar de perto a conclusão da sua obra.
Quanto à drª Manuela não me parece que vá avançar. O país não quer mais conversa austera e ríspida sobre fantasmas e pesadelos, ainda por cima quando depois se vem a saber que a dose apesar de forte não era a mais indicada para a doença de que o país padecia. O país necessita de quem dinamize a economia, combata firmemente o desemprego, diminua a captura do Estado pelos interesses, altere radicalmente a desigualdade na distribuição da riqueza e liberte a sociedade civil do peso da partidocracia e da ingerência do Estado em áreas em que o Estado não deve intervir. Não me parece que esse seja um projecto para a Drª Manuela nem para o PSD. Estão mais talhados para a revisão da Constituição, a diminuição do peso do Estado na Economia, seja lá isso o que for, e outras "urgências".
Mas o que este episódio vem mais uma vez evidenciar é que mesmo líderes partidários eleitos com maiorias albanezas não passam de líderes frágeis de partidos frágeis. Sobretudo se esses partidos estiverem na oposição e tiverem dirigentes da estirpe do afamado Rui Gomes da Silva.
Etiquetas: politica nacional

A editora Dom Quixote edita O Homem sem Qualidades de Robert Musil, uma das melhores obras do século XX .
Etiquetas: livros
Quem se recorda desta ideia surgida durante a última campanha eleitoral? Parece que afinal a ideia tinha pernas para andar.O Governo aprovou hoje a "Resolução que aprova os objectivos e as principais linhas de orientação da requalificação e reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa inscritos no documento estratégico Frente Tejo" e o "Decreto-Lei que constitui a sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos Frente Tejo, S. A., e aprova os respectivos Estatutos" e vai convidar Júdice para presidir a essa sociedade.
A Câmara de Lisboa fica a leste desta sociedade porque, ao que parece, não tem dinheiro para nela participar. Mas digam lá, a ideia não era tomar uma posição política de príncipio que consistia em devolver a frente ribeirinha à cidade? E uma ideia dessa relevância pode ser posta em causa por dificuldades financeiras da autarquia? Esta parte da cidade vai ou não ficar - ou continuar - governamentalizada? Ficará melhor ou pior do que anteriormente? A julgar pelo que se sabe a melhor resposta é : não sabemos. Nesta altura, num processo desta natureza, o que não devia escassear era informação. Informação sobre os objectivos da sociedade e da intervenção urbanística que se propõe concretizar. Aliás, quem irá aprovar essa intervenção? E a participação dos cidadãos como se concretizará?
O afastamento da Câmara deste processo torna bizarra a declaração de Sá Fernandes de que o ex-bastonário não será mais do que "um capataz da câmara cujas ordens irá executar" (edição do Público de hoje). A Câmara não vai mandar nada na frente ribeirinha o que equivale a dizer que os lisboetas não serão vistos nem achados sobre esta questão. O Governo manteve a governamentalização da frente ribeirinha, depois de ter anunciado o seu fim, passando a estar directamente envolvido na gestão por interposto capataz.
PS - ressalvar que três vereadores tiveram a sensatez de pretender votar a nomeação de Júdice: Sá Fernandes, Helena Roseta e uma vereadora da lista de Roseta.
Etiquetas: Lisboa.Política das Cidades
O Benfica derrotado pela Académica, o Benfica derrotado pelo Sporting, o Benfica à beira de ser derrotado pelo Porto no domingo. De permeio, o Pinto da Costa morreu e ressuscitou e o Boavista ainda pode ser extinto amanhã. Se isto não for um sonho e estiver mesmo a acontecer, estamos perante a perfeição, a melhor semana futebolística desde que o mundo é mundo.
Obrigado, mas eu não merecia tanto.
Etiquetas: política
Uma primeira parte com duas no papo. Uma primeira parte perfeita segundo os padrões a que Paulo Bento nos habituou. Uma segunda parte única, irrepetível, tudo a abrir apenas e só com a baliza nos olhos. Jogo fantástico do Sporting contra um grande Benfica na primeira parte.
Os 30 minutos mais fantásticos dos últimos anos.
Grande João Moutinho a comandar a reacção a empurrar a equipa para a frente a dar o exemplo. Não há muitos jogadores assim.
Etiquetas: Paixões
Afinal a Câmara de Lisboa quer a municipalização dos terrenos da zona ribeirinha mas não quer participar na gestão da entidade que os vai gerir. Afinal a maioria que governa a Câmara recusou pronunciar-se sobre a escolha de José Miguel Júdice para Presidente dessa entidade, viabilizando dessa forma a escolha do Governo já que, caso o assunto fosse a votos, existiriam votos contra e Júdice teria muitas dificuldades em aceitar o lugar depois do que disse.
Afinal para que quer a Câmara a retirada da zona ribeirinha da alçada da Administração do Porto de Lisboa? Para a entregar à entidade criada pelo Governo e presidida por Júdice?
Parece que Júdice tinha absoluta razão quando disse que na Câmara não existiam pessoas com capacidade para serem seus patrões. Pelo menos na maioria relativa que governa a cidade não há.
Etiquetas: Lisboa.Politica das Cidades.
O julgamento de Adelino Ferreira Torres não deverá conduzir à condenação do ex-autarca. A julgar pelos relatos, feitos, entre outros, por um dos seus parceiros o ex-motorista José Faria, Ferreira Torres beneficiou de um esquema de enriquecimento ilícito associado à mudança de uso dos terrenos que adquiria através desse ou de outros testas de ferro. Ferreira Torres, depois da valorização desses terrenos por via da sua mudança de uso devidamente aprovada em instrumentos de planeamento urbanístico, vendiaos ficando com a totalidade das mais-valias geradas. Este esquema pratica-se a eito no país e seria pateta pensar que o ex-autarca de Amarante foi o único a "olhar o céu" à espera das famosas "wind fall gains". O que Avelino tem de particular -mas também não é caso único- é que ele estava dos dois lados da decisão. Era ele que tomava a iniciativa de comprar terrenos abrangidos, e desvalorizados, pelas políticas públicas de conservação da natureza e que depois tomava a iniciativa de lhes mudar o uso, conferindo-lhe edificabilidade, aumentando dessa forma em centenas, ou milhares de vezes, o seu valor apenas com a decisão de os reclassificar do ponto de vista urbanístico.
Num país que não inclui nas políticas públicas o combate à corrupção, o combate ao enriquecimento ílicito e que tem a legislação, e a práctica, sobre mais valias urbanísticas mais penalizadora do interesse público de toda a Europa e de uma grande parte do mundo, não é especular muito se pensarmos que Avelino Ferreira Torres, no limite, sairá ilibado de qualquer acusação.
Etiquetas: Corrupção.Mais-Valias
... existissem fortes razões para o Presidente da República mostrar tão grande contentamento no final da reunião privada com o inimitável Alberto João? E se existissem fortes e boas razões para que o Alberto João, sempre tão disponível para a coloquialidade, tivesse saído da mesma reunião tão apressado e silencioso, visivelmente mal disposto?
Porque terá o Presidente dito, com um ar tão satisfeito, que "Este belo dia é a demonstração que o Presidente da República traz bonança para a Região Autónoma da Madeira, há dias bons na Madeira, mas é difícil encontrar um que seja perfeito e este é um dia perfeito"?
Eu gostava de ter assistido à reunião mas não tendo sido possível julgo poder imaginar que João Jardim deve ter sido recentrado na sua verdadeira importância e dimensão pelo outrora chamado "senhor Silva", que porventura lhe terá feito saber que para certas atitudes a tolerância passou a ser zero.
Bom, claro que o Presidente podia, e julgo que devia, ter imposto a sua recepção pela Assembleia da Região, mas, e se, por exemplo, as comemorações do 10 de Junho se fizessem na Madeira, exactamente nesse local habitado pelos "loucos da Madeira" na versão pimba de Alberto João?
Etiquetas: Politica. República
Um cidadão, algures em Faro, pesquisa no Google sobre o tema "Grades de Madeira". Vai encontrar entre outros endereços de fornecedores das ditas uma referência a este post, em que eu citava parte de um texto belíssimo de Sophia de Mello Breyner Andersen " A Casa do Mar". Ainda bem que isto está tudo ligado.
Etiquetas: Perplexidades
Ribau Esteves veio em defesa do indefensável Rui Gomes da Silva, que já tentara justificar o injustificável porta-voz. Mas, numa recordação dos tempos de Durão, o PSD vai de Mao a Piao neste caso. Quanto mais chafurda mais se enterra. Ribau opta por tentar corrigir o torpe angulo de ataque escolhido por Rui Gomes da Silva, para colocar as coisas num outro plano, o da falta de independência da jornalista e do seu pretenso carácter miltante pró Governo. Mas lá vem a pergunta eslarecedora do comunicadozito: " qual seria a reacção dos analistas do costume se a mulher ou companheira de um primeiro-ministro do PSD insultasse o líder da oposição socialista nos jornais ou lhe fosse atribuída a responsabilidade de produzir um programa na televisão pública"
Mas quem é que lhes disse que a jornalista tem uma relação com Sócrates? E, caso isso fosse verdade, em que medida esse facto poderia constituir razão para justificar qualquer tipo de limitação dos direitos de Fernanda Câncio, incluindo o direito de criticar o líder do PSD ou o direito de ser contratada por qualquer entidade pública ou privada?
O que é que se pode fazer com gente desta?
Etiquetas: Politiquice.
A opinião de Mário Crespo, hoje no JN, sobre o que s epassou na Quadratura do Círculo quando Pacheco Pereira atacou a opção de Jorge Coelho de aceitar presidir à Mota Engil. Escreve Mário Crespo: "Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido. Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje. Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder. Nada de ilegal, mas tudo despudorado. O Conselho de Administração da Mota-Engil será uma constante reunião de Bloco Central, com dois antigos ministros das tutelas das construções do Estado em governos PS e PSD a desenhar estratégias para ganhar concursos públicos que vão ser decididos por funcionários que foram seus subordinados ou a conseguir de autarcas correligionários interpretações de PDM mais favoráveis a isto ou aquilo que se queira cobrir de vigas pré-esforçadas, argamassa ou asfalto. E se os antigos ministros não chegarem a nenhuma conclusão ainda há lá um antigo secretário de Estado entendedor dessas complexidades das obras públicas para afastar empecilhos do lucro. O colosso a que Jorge Coelho agora preside opera sobretudo na área do domínio do que é público em Portugal.(...) A maior parte do sector privado lusitano só quer e, se calhar, só pode subsistir associado à tutela estatal e não tem pejo em subordinar-se aos operadores puramente políticos, abandonando a evolução de culturas de empresas inovadoras desenvolvidas por gestores profissionais que pusessem, finalmente, o mercado a funcionar em Portugal(...)
Etiquetas: Política promiscuidades
A intervenção do vice-presidente do PSD no caso" Fernanda Câncio versus RTP com Sócrates pelo meio" parece ser uma situação normal no partido de Menezes. Depois da intervenção do porta-voz, mais na base da insinuação acanalhada, veio o vice-presidente clarificar as coisas colocando os nomes todos na peça já rabiscada pelo porta-voz. Ora, aquilo que o senhor vice-presidente clarifica é a baixeza a que a acção política pode descer e o grau zero de dignidade política que elegeram como norma de conduta.
Ficamos informados.
Etiquetas: Politiquice
Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la Terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi, tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois
Francoise Hardy - L'amitie (1965
Serge Gainsbourg e Anna Karina
(correio do leitor)
O acordo entre os sindicatos dos professores e o ministério é um acordo importante. Permite que se tirem duas conclusões, ambas relevantes: a primeira é a de que o Governo não foi insensível à contestação das suas politicas e que depois de muita arrogância e da manifestação pública da sua irredutibilidade, reconheceu a necessidade de mudar de posição; a segunda é a de que quando uma classe profissional se une e se manifesta, na rua esse lugar da democracia, em defesa dos seus legítimos interesses, a força dessa unidade faz recuar mesmo os Governos aparentemente mais poderosos.
Os comentários das forças politicas, naturalmente, salientaram a derrota do Governo em diferentes tons consoante a orientação política. Mas enquanto à esquerda se criticou a posição inical do Governo de hostilidade para com os professores, aplaudindo a mudança/cedência, à direita, Luís Filipe Menezes optou por criticar o Governo por ter recuado entendendo o acordo como "mais um sinal de recuo e da capitulação do Governo". Mas afinal o que é que queriam?
Etiquetas: Política.Educação
Na edição de Abril do "Le Monde Diplomatique", edição portuguesa, saliento uma excelente análise de Jorge Bateira, com o título em epígrafe, sobre a estratégia reformista deste Governo através da abordagem de "quatro tópicos que [no entender do autor]constituem pressupostos estruturantes do discurso e da acção do actual governo: a psicologia humana, a organização da sociedade, o lugar do Estado e o papel das políticas públicas na priomoção da mudança(...)"
Etiquetas: Leituras.
Artigo de opinião de Manuel Maria Carrilho no DN. A propósito do relatório da ERC e não só. Cito: "(...) O estudo da ERC revela uma visão raquítica do pluralismo político e uma concepção atrofiada do pluralismo informativo. Ora, são estas perspectivas de um pluralismo "à la carte" que é urgente contrariar. E dar-se-ão passos nesse sentido quando, como em geral acontece no mundo civilizado - basta olhar para a BBC, a CNN ou a FRANCE 2!... - se acabar com a cartelização do comentário político pelos partidos políticos (no serviço público de televisão, mas não só), e quando se vedar tanto a jornalistas como a políticos a função de "comentador" político, reservando-a para personalidades indiscutivelmente independentes, de perfil universitário e de currículo reconhecido. Talvez então se descubra como é fácil satisfazer o mais exigente critério de pluralismo, sugerido por Cass Sunstein: o de nos surpreender, mesmo quando não procuramos surpresas!(...)"
Etiquetas: Política.Pluralismo
Ministro do Trabalho admite que Portugal tem das legislações laborais “mais rígidas do Mundo”
O ministro quer a flexisegurança à lá Ddinamarquesa. Homem com bom-gosto quer conjugar flexibilidade com segurança de forma a que ganhemos todos: os patrões e os empregados.
Mas, e a realidade senhor ministro? Bom, Vieira da Silva conhece a realidade da crescente precarização das relações de trabalho, condição sine qua non para garantir um modelo de desenvolvimento que se fundamenta na desigualdade na distribuição da riqueza. Desigualdade que não parou de crescer com Vieira da Silva - são as estatísticas europeias, senhor - e os seus camaradas, com as suas almas socialistas mais do tipo "assistencialista" do que do tipo "justiça social".
E na Dinamarca, Vieira, como é na Dinamarca? Qual é o rácio entre os vinte por cento mais ricos e os vinte por cento mais pobres, Vieira? Menos de metade do que acontece em Portugal. E a habitação, bom homem? Como é que essa coisa da habitação, que tanto penaliza a mobilidade dos trabalhadores, se manifesta na Dinamarca e em Portugal? Nós cá somos todos proprietários, com mais de 75% (censos de 2001) e na Dinamarca pobretanas - com o rendimento per capita quatro vezes superior - os proprietários não chegam aos 50% (dados do INE de 2003). Nós cá gostamos de ajudar à competitividade da banca, pobrezinhos deles, sem a nossa ajuda muito penariam. Por isso hipotecamos a vidinha e os rendimentos futuros, e das gerações futuras, tudo certinho a trabalhar para pagar os empréstimos até ao último tostão.
Como é que se pode discutir estas questões sem falar destas outras? Fingindo que somos todos iguais e que entre nós e a Dinamarca venha o diabo e escolha.
Etiquetas: Política. Desigualdade.
O argumento utilizado pelo PS para chumbar o pacote anti-corrupção de Cravinho foi o de que aquele atentava contra o Estado de Direito já que consagrava a inversão do ónus da prova. O Expresso, pela pena de José Pedro Castanheira, recupera, a propósito da ratificação da convenção da ONU sobre enriquecimento ilícito, as declarações de Jorge Sampaio no 5 de Outubro de 2005 - como envelhecem e caiem no esquecimento e na absoluta irrelevância as declarações solenes dos Presidentes da República - " Quem enriquece sem se ver donde lhe vem tanta riqueza terá de passar a explicar à República "como" e "quando". Esta inversão é o encargo que os cidadãos inexplicavelmente enriquecidos terão de suportar para que a Justiça e a moralidade sejam repostas".
Saliência para a argumentação do porta-voz do PS neste debate, Ricardo Rodrigues, que usa e abusa de uma visão estática, purista, do "Estado de Direito" parecendo querer apenas assegurar que a Administração permanece de pés e mãos atadas perante os meios cada vez mais sofisticados de a corrupção se exercer.
Etiquetas: corrupção
Para saber porque razão a vida do Benfica ainda corre pior do que a do PSD leia aqui.
Etiquetas: Desabafos
Para estas pessoas nem a idade atrapalha. Apesar de, como referiu oportunamente o Presidente da República, em Portugal se envelhecer muito rapidamente isso não se aplica aos ex-govenantes e aos políticos com efctiva influência junto de quem manda. E não se aplicará aos seus familiares mais jovens, que não estão, certamente, incluídos nos números elevados de jovens licenciados numa situação de desemprego ou que exprimentam o "método Sonae" do começar por baixo numa caixa de um hipermercado do grupo.
Mas esta negação sistemática da meritocracia e o tráfico de influências tem outras expressões a outros níveis do poder, por exemplo no poder local. E aí o PCP bem pode ficar calado. A menos que saiba explicar-nos quais os critérios que adopta nas autarquias por si lideradas e o roullement de técnios de confiança política que saiem de uma câmara perdida para aterrarem noutra em que ainda se mantêm o poder. Paraquedistas, ter-lhe-á chamado alguém.
Etiquetas: Política. Prosmicuidades.
Enriquecimento ilícito vai mesmo ser lei
Através da ratificação de uma convenção da ONU o parlamento português acabou, segundo o Expresso, por transpor para a ordem jurídica interna a criminalização do enriquecimento ilícito que negara ao deputado João Cravinho e ao seu pacote anti-corrupção. Há coisas que nem uma maioria absoluta pode impedir.
Etiquetas: corrupção
O crédito ao consumo em Portugal custa mais caro aos consumidores do que nos restantes países europeus? Caso para dizer que há aqui um enorme potencial para os consumidores portugueses verem os seus custos com o crédito diminuirem. Mas, quando e a que taxa se fará a evolução para a normalidade? Repare-se que a taxa ao consumo é da ordem dos 12% "o dobro da taxa mais baixa da UE". Os consumidores portugueses estão entregues á voracidade destes senhores e à cumplicidade dos políticos nacionais. Se não for a Europa....
Os lucros sempre crescentes da Banca alimentam-se deste tipo de expedientes que retiram às famílias e às empresas grande parte dos recursos que lhes permitiriam realizar alguma poupança e intervir ativamente na economia. A produtividade não é necesária para nada quando a imaginação pra sacar dinheiro aos cidadãos e às empresas não tem limites. Talvz por ter uma aguda percepção desta realidade o dr. João salgueiros tenha declarado que "os efeitos da crise económica internacional não vão "contagiar" a economia portuguesa pela área financeira, mas sim pela economia real, quando alguns sectores produtivos começarem a sentir mais dificuldades em exportar ou ter clientes".
Etiquetas: Política.Usura
... a postura da equipa do Sporting. Paulo Bento mostra a sua eficácia a anestesiar a equipa com o discurso do cuidadinho, muita concentração, nada de grandes excessos, cuidadinho. O Sporting da primeira parte não parecia uma equipa à beira de passar às meias-finais de uma competição europeia. Porque será que Pereirinha não joga? Ou o Djaló das últimas semanas? Só Paulo Bento saberá.
Adenda: a opção de forçar o ataque apenas na segunda-parte é um disparate. Aconteceu aquilo que sempre acontece nestes casos: um contra-ataque e um golo. Paulo Bento não tem vida para estas coisas. A comparação com Alex Fergusson é pura e simplesmente rídicula. Fergusson é um jovem treinador ao pé do prudente, cauteloso e medroso Paulo Bento.
Etiquetas: Paixões
Na Púlica do passado domingo o texto de Daniel Sampaio constitui um pequeno oásis de clareza no meio da gritaria que se abateu sobre todos nós a propósito da agressão da jovem aluna à sua professora no Carolina Michaélis.
Cito: " (...) A verdade é que quem contacta com jovens já se tinha apercebido como a voracidade de um quotidiano virado para o consumo e para o divetimento sem regras, tem empurrado os adolescentes para um mundo em que o prazer e o espectáculo estão acima de tudo. Esta maneira de viver que caracteriza muitos jovens de hoje inicia-se na infância ou na pré-adolescência. Cresceram vazios, sempre em busca de uma gratificação imediata, tornaram-se exigentes para com os pais, perderam de modo progressivo o sentido do outro: acima de tudo, querem estar sempre bem, viver sem preocupações, "curtir" o momento. (...) A escola é importante não como fonte de conhecimento, mas como alguma coisa que se tolera porque permite ter amigos e levar ao máximo experiências-limite, sobretudo se forem filmadas e exibidas patra o grupo. (...) É, por exemplo, habitual que os adolescentes faltem aos aniversáios ou a outros rituais familiares porque "vão sair", ou "é o dia de estarem com os amigos".
A explosão tecnplógica trouxe a todo o lado esta "cultura" juvenil: telémoveis, grupos de conversaão, dispositivos para ouvir música e muitas outras coisas permitiram a comunicação à distância e a socialização fora do controlo familiar.(...)
Que fazer? Encarar o problema e deixar de vez o discurso saudosista ou derrotado(...) O debate sobre estas questões demonstrou como se discute o acessório, sem que as pessoas se apercebam de como tudo está a mudar na adolescência e na família. A nova facilidade na comunicação tem de ser a garantia de que os pais contacatam os filhos durante o dia, mesmo que estejam a trabalhar. E é bom ver se todos este comportamentos nos jovens não são uma luta contra o aninimato e o vazio das suas vidas: mesmo que o sejam temos de os atalhar a tempo."
Etiquetas: Política. Educação
Litoral Alentejano estuda efeitos da poluição na saúde através dos líquenes.
Já alguém ouviu falar do SinesBioar? Se quiser saber o que é pode ver tudo aqui. Se quiser ler o relatório final do estudo apresentado em 2004, pode lê-lo aqui.
Nos objectivos do SinesBioar o que se dizia era que: "O principal objectivo do SINESBIOAR foi dotar a autoridade regional de uma ferramenta global para monitorização e avaliação da qualidade do ar da região de Sines, e caracterizar os diferentes impactes da poluição atmosférica nas populações locais. Para tal, vários objectivos intermédios foram concretizados:
validação do uso de bio-indicadores e bio-monitores para monitorizar a qualidade do ar na região de Sines; a implementação de modelos matemáticos e geoestatísticos para a dispersão espacio-temporal dos principais poluentes e obtenção de mapas de risco e de custos de impacte; avaliação dos custos de impacte social da poluição industrial a nível local no que respeita ao fenómeno social de percepção do risco relacionado com a poluição;
integração de diferentes metodologias e procedimentos num instrumento global para monitorização, planeamento e gestão da qualidade do ar num sistema de informação (plataforma comum). Finalmente, este projecto demonstrou que uma abordagem multidisciplinar é a mais adequada para o planeamento e gestão da qualidade do ar e avaliação dos seus impactes sociais, tendo em vista o ordenamento do território e o desenvolvimento sustentado da região."
Agora voltou tudo à estaca zero?
Por isso escrevi aqui, indignadamente, sobre o que me parecia ser uma brincadeira de mau gosto: apresentar o velho como novo. Como de vê a propaganda faz o seu caminho, aparentemente inexpugnável. Ainda por cima quando os resultados não se traduzem em consequências prácticas para a saúde das pessoas mas apenas na validação dos líquenes como instrumento de análise e caracterização. Afinal o SinesBioar dotou a autoridade regional com o quê? Afinal o CIGSA serve para quê e quem o paga ? Quem representa, neste processo, a população de Sines e os seus direitos? Quem coloca em cima da mesa uma exigência mínima para permitir, com o rigor que a ciência e a técnica permitem, saber, em tempo útil, qual é a situação actual em termos de Saúde Pública? De que mitos falamos quando falamos de poluição em Sines?
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
O ministro Teixeira dos Santos continua a manifestar o seu optimismo perante as sucessivas revisões em baixa das previsões de crescimento da Economia portuguesa para 2008. Um optimista, como o ministro, não pode deixar de apontar o pessimismo dos que dele mais se afastam. Trata-se de definir os limites do intervalo onde a realidade se alojará, sendo certo que o plano se inclina para longe do limite optimista que é o ponto de observação do ministro. No entanto, nem mesmo o ministro teve outro remédio que não fose escolher a previsão menos má nesta altura, seguro que estará que o que resta da confiança dos portugueses poderá estar a volatizar-se. Assim, escolheu a previsão do Banco de Portugal (1,7%) em alternativa aos 1,3 adiantados hoje pelo FMI. Os 2,2 % de previsão de crescimento do Governo são já apenas uma velha miragem. Mesmo aquela que aprecia como a pequena recompensa - vamos crescer menos mas estamos finalmente a convergir com a Europa - não terá passado de um argumento útil cujo prazo de validade se esfumou rapidamente.
Mas as notícias não são boas: o desemprego vai aumentar e como se sabe as maiores vitimas são os mais carenciados aqueles que pagaram com língua de palmo o combate ao défice.
Aqúele 1% do IVA podia ser muito útil para minorar o sofrimento que ainda vai aumentar.
Etiquetas: Crise Financeira
A todo o momento esse dia está a chegar:
Enviaremos petições a todos os guardas prisionais
Pedindo-lhes que nos salvem de medo liberdade inverno
E nos permitam cumprir a nossa pena.
Quando finalmente nos puserem as algemas
Que o mundo perca o seu equilíbrio vergonhoso.
Entre as duas metades que formam o mundo,
Que a dos condenados possa tornar-se a maior
E os guardas, com vergonha e medo,
Uma noite destas, peçam para ficar connosco.
Matija Beckovic (n. 1939)
Etiquetas: poesia
As rádios transmitem a informação de que um grupo de estudo está a ponderar a introdução de portagens nos acessos a Lisboa. António Costa já terá manifestado a sua concordância, ele que quando se candidatou excluiu liminarmente a hipótese. Recorde-se que este tema foi introduzido na anterior campanha autárquica à boleia de exemplos como os de Londres e de Milão.
Está tudo doido. Quando é que começam a pensar seriamente em resolver o problema da habitação em Lisboa? Quando é que conseguem inverter a tendência para o êxodo que actualmente se verifica, por razões/omissões políticas, em particular a demissão dos responsáveis? Introduzir portagens é muito mais fácil mas trata-se de uma medida que no essencial penaliza os mesmos: aqueles que foram expulsos da cidade e que a ela são obrigados a voltar todos os dias para trabalharem.
Adenda: Nas notícias que escutei na rádio durante a tarde de ontem, as declarações pareceram-me inequívocas no sentido em que apontavam para a introdução de pagamento de portagens nos acessos a Lisboa para a generalidade dos veículos que entram na cidade. O que s epode ler hoje no Público é relativo às portagens na Ponte Chelas-Barreiro e aí as coisas situam-se no doínio da pura normalidade e da razoabilidade.
Etiquetas: Lisboa.Politica das Cidades.
O FMI é uma organização fundamentalista do mercado que tem defendido e praticado, com funestas consequências para milhões de cidadãos à escala mundial, uma política que favorece os mercados financeiros e os apetites mais vorazes dos seus protagonistas. O Consenso de Washington, que Stiglitz tão bem descreve nas suas obras sobre a globalização, é o "compromisso" que concretiza esse funesto entendimento.
Mas, nas horas de crise, quando o sistema financeiro se desmorona vítima do seu espírito rapace, o FMI não hesita em pedir aos governos para "avançarem para a aquisição no mercado dos títulos que mais problemas estão a causar nas contas das instituições financeiras um pouco por todo o mundo. O dinheiro público seria deste modo usado para, retirando esses activos suspeitos das mãos dos bancos, reduzir o clima de incerteza que se vive nos mercados mundiais."
É isto que se pode ler, hoje no Público, a propósito das declarações ao FT do presidente do FMI, o socialista francês, Dominique Strauss-Kahn.
Pois é, o FMI mantêm afinal a sua coerência: depois de actuar de forma a garantir a privatização, em poucas mãos, dos lucros gerados pelas actividades especulativas do sistema financeiro internacional, actua, agora que o sistema regista perdas terríveis, no sentido de socializar os prejuízos.
Etiquetas: Crises. Globalização.
Está na moda a critica fácil, muitas vezes àquilo que nem sequer se percebeu. Por estes dias muita gente tem criticado o Relatório do LNEC, em particular a parte dedicada á análise das questões de ordenamento do território. Algumas declarações enfatizaram a entrada em Lisboa de mais 60 mil carros um crime imputável à opção pela introdução da rodovia. Não é nada disso que se vai passar como explicou o presidente do LNEC já que são 30 mil carros em cada sentido e grande parte desse tráfego é desviado à ponte 25 de Abril. Outro argumento era o facto de a ponte Vasco da Gama ainda estar longe da saturação. Não tem nada a ver como se explica no Relatório, parte do Ordenamento do Território, capítulo dedicado à análise das travessias actuais e das dinâmicas metropolitanas.
A ponte Vasco da Gama serve outras pessoas e outros concelhos da Margem Sul e não contribui para um dos objectivos do PROT-AML que é o de reconverter as antigas áreas industriais da AML-Sul e a consolidação do sistema urbano policêntrico ribeirinho e a integração das penínsulas do Barreiro. Aí se afirma que "a opção apenas pelo modo ferroviário limitará as opções de reconversão de actividades económicas e de criação de novas actividades, e respectivo emprego às vantagens comparativas do Barreiro no quadro da Península de Setúbal, em particular do seu arco ribeirinho.(...) dependentes do modo rodoviário seja quanto à mobilidade da nova população activa seja quanto ao transporte dos produos e equipamentos que utilizam e produzem."
No debate do Prós e Contras ficou claro que o lado dos que defendem a solução Chelas-Barreiro está muito melhor fundamentado. Ignorando o triste episódio da fotomontagem distorcida, que exasperou o engº António Reis, chocado com a manipulação das dimensões da ponte e com alguns erros e efeitos primários de abrutalhamento da imagem da ponte, como a ideia de usar uma cor negra e uma densidade de tirantes que não se via nada através, os argumentos em defesa desta ponte são razoáveis, sensatos e apoiam-se numa ideia de organização do território metropolitano que está sustentada em documentos estratégicos que vinculam o Estado português.
Como referiu o engº Paulo Correia grande parte da contestação à opção tomada parte do equívoco que o engº Viegas assumiu ao defender a Lisboa das cidades gémeas, quando o que se trata é da Lisboa das duas margens. Como se pecebeu este argumento obteve o silêncio como resposta. Mas, percebe-se, o engº Viegas é um dos nossos maiores especialistas em transportes, mas não é um urbanista. Por isso é que o LNEC convidou e bem um dos nossos maiores urbanistas para o ajudar na preparação da decisão. Como se viu neste debate perde-se muito tempo a discutir à revelia dos problemas. Dá muito jeito que alguém, ainda que por alguns minutos breves, diga com clareza: os problemas são estes e estas as soluções mais adequadas por estas e estas razões.
Insisto . Leiam o Relatório.
Etiquetas: cidades
Para evitar esta tragédia - a das inaceitáveis limitações da sua capacidade de autofinanciamento - que se abate sobre o reino de Alberto João, Menezes propõe uma nova Constituição. Com um capítulo específico sobre a liberdade de imprensa na região e a indicação em anexo dos vários tipos de mordaças oficiais.
Mas, mesmo assim, com o tal garrote que Menezes diz haver, a Madeira atingiu, segundo ele, um "desenvolvimento sustentado". Caso para dizer que não fora a Constituição cerceadora e a Madeira já teria chegado ao Continente, tornando inútil a futura aposta social-democrata "nos transportes do continente para a Madeira"
Por quantas razões necessita Portugal de uma nova Constituição, segundo o líder do PSD? Mais ou menos do que aquelas pelas quais, segundo tanta gente, o PSD necessita de um novo líder?
Etiquetas: Política Nacional.
O PSD acha que a escolha de uma jornalista, da exclusiva responsabilidade de uma produtora privada, para trabalhar num programa de televisão é assunto par ocupar os assoberbados neurónios de um seu dirigente, neste caso o seu porta-voz para a comunicação social. Diga-se que o referido tem estado, diligentemente, ocupado com o próximo congresso do PSD-Madeira e com as fraternas relações com a comunicação social na região, esse bastião da qualidade da democracia, tal como a entendem Menezes e companhia.
A ideia que dá é que tendo sido investido na urgente função de resolver "o caso da jornalista-que-vai-fazer-um-programa-na-televisão-e-que-dizem-as-revistas-de-fofocas-que-é-amiga-do primeiro-ministro" terá resolvido usar o neurónio censor e pretendido censurar publicamente essa escolha, feita pela tal produtora, clamando por uma solução interna.
Mas que porcaria é esta?
Etiquetas: Politiquice.
Assumindo-se nesta obra como um economista institucionalista e descrevendo ele próprio o livro como um ensaio de economia institucionalista, José Reis organiza o livro em três partes.
Da primeira, com o título “Governação, Institucionalismo e Estado: os genes impuros da economia”, saliento a reflexão feita em torno das relações entre o Estado e a Economia com destaque para a análise da estrutura do Estado e as despesas públicas e para a reflexão sobre o papel dos Estados-Nação como organizadores da espacialização da economia (pág. 86 e seg.).
Em defesa da tese da centralidade do Estado na Economia constata que o “peso da despesa pública no PIB é grande em todas as economias, especialmente as europeias. Além disso, ele manteve-se, ou expandiu-se mesmo, sob governos de direita (os EU com Reagan, Portugal em dez anos de poder da direita, no tempo de Cavaco) e em fases de grande retórica anti-estatal (…) E há ainda outro argumento que concorre para esta ideia de centralidade do Estado. Não se trata de algo quantificável. Pelo contrário, é profundamente não-material: é o papel do Estado na institucionalização e resolução dos conflitos, no relacionamento entre os actores económicos e sociais. A este papel gostaria de juntar, em síntese breve, alguns outros: os que têm a ver com a promoção de significados colectivos, com a contratualidade, com a organização ou com o papel estatal na criação de economias externas (…) ”
Quanto à segunda questão escreve José Reis: “(…) é claro que a crescente internacionalização das economias traz consigo uma muito mais acentuada articulação das escalas espaciais, envolvendo o Estado-Nação, ele próprio, o nível regional subnacional e o nível global (…) temos assim uma outra dimensão a sublinhar no Estado: o seu perfil enquanto gestor das articulações espaciais da economia: desde logo enquanto agente activo da formação de blocos regionais à escala mundial (…)”
Da segunda Parte do livro com o título “Evolução e processo: Europa, Portugal, densidades e relações” destaco o capítulo 4: “Europa e Cidades: Governação e densidades, político-institucionais”.
Partindo desta visão o autor propõe que “pensemos uma tipologia das formas de governação urbana que pensemos a formas como o mercado se apropria da cidade e da sua estruturação física a partir da renda dos solos e do imobiliário ou da sua estruturação sócio-económica através das externalidades que viabiliza ou impede.” A ideia/conclusão a que somos conduzidos é a de que “ o lugar das cidades , e dos processos que originam economias de aglomeração das quais resultam densidades, se situa no mesmo plano da globalização financeira e comunicacional, enquanto mecanismo estrutural relevante da organização contemporânea.(…)”
Etiquetas: Leituras. Globalização











